Paris- Um estudo australiano contestou um relatório suíço segundo o qual uma pessoa contaminada com o vírus do HIV em tratamento anti-retroviral poderia dispensar o uso de preservativo na relação sexual, afirmando que sem proteção os riscos de contaminação são quatro vezes maiores.
O novo estudo foi realizado por uma equipe conduzida pelo doutor David Wilson, da Universidade de New South Wales (Sydney), que utilizou um modelo matemático para calcular os riscos.
O relatório da Comissão suíça da Aids dizia que se o vírus da doença não aparecesse no exame de sangue durante seis meses e se o paciente soropositivo não estivesse apresentado nenhuma outra infecção sexualmente transmissível, um casal ''sorodiferente'' (com um membro soropositivo e outro soronegativo) poderia renunciar ao uso da camisinha.
No entanto, para a equipe de David Wilson, apesar de o risco de transmissão do vírus ser baixo neste caso, não é igual a zero, porque o vírus nunca desaparece totalmente.
O estudo determinou que a probabilidade acumulada, com uma média de 100 relações sexuais por ano sem proteção, era de 0,22% por ano para as transmissões de mulher para homem, 0,43% para as transmissões de homem para a mulher, e 4,3% para as transmissões de homem para homem.
Em dez anos e numa população de 10.000 casais ''sorodiferentes'', 215 homens e 425 mulheres seriam infectados após uma relação heterossexual e 3.524 homens após relações homossexuais. O que corresponde, segundo a Lancet, a riscos quatro vezes maiores sem a proteção.(France Presse)

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