Contenção do narcotráfico requer maior combate a guerrilheiros e paramilitares
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quinta-feira, 15 de julho de 1999
Por Lourival SantAnna 
Bogotá, 16 (AE) - Os Estados Unidos e a Colômbia concordaram nesta sexta-feira (16) que o esforço para conter o narcotráfico requer combate mais efetivo à guerrilha e aos paramilitares, que dele se sustentam e o protegem e estimulam.
Essa concordância poderá traduzir-se em uma ajuda anual de US$ 250 milhões dos Estados Unidos para a Colômbia modernizar suas Forças Armadas. O pedido foi feito em Washington pelo ministro da Defesa da Colômbia, Luis Fernando Ramírez, em reuniões com membros do governo e do Congresso americanos, na quinta-feira e hoje, em meio a uma ofensiva das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
Ao sair da reunião com Ramírez, o mais alto assessor da Casa Branca para o combate ao narcotráfico, o general da reserva Barry McCaffrey, afirmou que a ajuda norte-americana à Colômbia é "inadequada e precisa ser aumentada". McCaffrey acrescentou que "os Estados Unidos têm de fazer enorme esforço para ajudar a Colômbia, a Bolívia, o Peru e outros países que lutam contra o narcotráfico".
"Os norte-americanos perceberam que a solução do problema do narcotráfico passa pela solução do problema da guerrilha e dos paramilitares, ambos financiados pelos narcotraficantes", disse Ramírez à emissora RadioNet, de Bogotá. "A maneira civilizada de resolver o problema é a substituição dos cultivos (de coca e de papoula pelo café e o milho, por exemplo), e é isso o que o governo tem tentado", prosseguiu Ramírez.
"Mas, para dançar o tango, são necessários dois." Assim, argumentou o ministro da Defesa, se o processo de paz não vingar
as Forças Armadas colombianas têm de estar preparadas para vencer o inimigo. Para Ramírez, que está em Washington acompanhado do comandante das Forças Armadas, general Fernando Tapias, a modernização e o fortalecimento militares da Colômbia são "pré-requisito" para alcançar a paz.
O senador democrata Paul Coverdale, um dos congressistas que se reuniram com o ministro e o general, também pensa assim: "Não é contraditório apoiar a paz e o Exército ao mesmo tempo, pois, para manter a paz, é preciso demonstrar capacidade para defendê-la."
De acordo com vários senadores e deputados norte-americanos, há um consenso entre democratas e republicanos quanto à necessidade de intensificar e ampliar a ajuda militar à Colômbia
teoricamente ainda restrita ao combate ao narcotráfico. A dificuldade é que o orçamento já está praticamente fechado. Entretanto, alguns congressistas prometeram enviar a emenda prevendo a ajuda em caráter de urgência.
Ramírez visitará amanhã o Comando Sul, em Miami, para pedir o empréstimo de equipamentos militares que estejam disponíveis. O ministro, que se reuniu hoje também com o diretor do FBI - a polícia federal dos Estados Unidos -, Louis Freeh, e com altos funcionários do Departamento de Estado, garantiu que a ajuda não afetará a "autonomia" colombiana e acrescentou que a Colômbia pedirá o mesmo tipo de apoio a outros países.


