Curitiba - O primeiro problema com a invasão do caracol africano é o econômico, uma vez que ele ataca plantações e plantas ornamentais. O segundo problema é ambiental, por competir com moluscos nativos. Considerado uma das 100 espécies mais invasivas do mundo, a espécie africana atinge 15 centímetros de comprimento por 8 de largura e pode pesar mais de 200 gramas. Mais resistente do que o molusco gigante brasileiro brasileiro (Megalobulimus), conhecido como Aruá-do-mato, a espécie africana coloca mais de 200 ovos por vez.
O terceiro problema é de saúde pública. O molusco pode ser o vetor do verme nematódeo, que tem como hospedeiro definitivo o rato. Alimentando-se de fezes do rato, o molusco incorpora o parasita, que é passado para o rato novamente, quando ele se alimenta do molusco contaminado.
''O problema é quando o homem entra no lugar do rato, comendo o caramujo infectado ou tem contato com o muco do molusco'', alerta a pesquisadora Marta Luciane Fischer. Nesse caso, a pessoa pode desenvolver uma doença chamada de angiostrongilíase. São duas formas da doença, uma que causa a meningite comum na Ásia, que não há casos conhecidos no Brasil. A outra, chamada abdome agudo, causa lesão abdominal, pode ser fatal e tem registros no Brasil.
De acordo com a professora, não há registros de que os moluscos tenham entrado em contato com ratos. ''Se isso acontecer, pode ser uma bomba-relógio. Pode gerar uma epidemia. E o que preocupa é que a população de Guaraqueçaba diz que há muitos ratos no local'', alerta Marta Luciane Fischer. (M.G.)

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