Raimundo Valentim/Agência Estado
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)
O infectologista Walber VieiraBetinho era portador do vírus HIV, que causa a Aids, havia pelo menos 14 anos. A informação foi dada pelo médico infectologista que tratou do sociólogo, Walber Vieira. Na opinião de outros infectologistas ouvidos pela reportagem, o engajamento em lutas políticas e sociais foi fundamental para que Betinho prolongasse seu tempo de vida.
De acordo com esses especialistas, os pacientes que se mantêm ativos e não se deixam abater pelo estigma da Aids, como Betinho, conseguem resultados muito melhores no combate à doença. Segundo Walber Vieira, pelos cálculos feitos em conjunto com Betinho, o contato com o vírus se deu em 1983 ou antes.
Betinho, que era hemofílico, soube que estava com o vírus em 1985. Naquele ano e no anterior, porém, ele não recebeu nenhuma transfusão de sangue. O próprio Betinho acreditava, inclusive, ter sido infectado numa transfusão ocorrida fora do Brasil, já que morava no exterior no período provável da contaminação.
‘‘O que temos visto é uma relação quase imediata entre o desejo de viver do paciente e sua sobrevida’’, afirmou Carlos Alberto Morais, médico do hospital Gaffrée Guinle, na Tijuca (zona norte do Rio), um dos mais importantes do País no tratamento de aidéticos.
‘‘Sem dúvida nenhuma, todos os meus pacientes que tentam viver normalmente retardam em muito a fase terminal’’, disse Saul Bteshe, que tratou do cantor Renato Russo, também morto por Aids. ‘‘Se a pessoa não estiver fazendo aquilo de que gosta, tende a ficar deprimida, o que aumenta a velocidade da doença’’. Para Morais, Betinho pertencia ao grupo dos sobreviventes de longa duração - aqueles que resistem durante dez anos ou mais após o desenvolvimento da Aids.

mockup