Contas numeradas da Suíça deixam de existir
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quinta-feira, 01 de julho de 2004
Jamil Chade<br>Agência Estado 
Genebra- Espertalhões de todo o mundo que se cuidem. Desde ontem as legendárias contas secretas dos bancos suíços já não existem mais. Entrou em vigor a nova lei suíça de combate à lavagem de dinheiro, que não permite que clientes façam suas movimentações bancárias por meio de contas identificadas apenas por códigos ou números. De agora em diante, os clientes terão que ser identificados por seus nomes cada vez que queiram fazer uma transferência internacional de capital. Certa privacidade será preservada e, em algumas condições, as transferências poderão ser feitas levando só o número da conta. Nesses casos, o banco terá que contar com o nome e informações completas do autor da transferência.
As contas anônimas existem há mais de um século na Suíça e, nos anos de 1920 e 1930, se constituíram como uma das principais razões para o fortalecimento dos bancos do país. As autoridades suíças foram obrigadas a fazer as mudanças depois das fortes pressões internacionais contra o sistema bancário do país que facilitaria a lavagem dinheiro. A lei é de 2003, mas apenas hoje entrou em vigor, depois de transição para os bancos.
A origem da lei vem das recomendações da Força Tarefa de Ação Financeira, entidade com base em Paris, que estabeleceu regras para o combate à lavagem de dinheiro. Preocupada com o financiamento de redes de terroristas, a instituição adotou normas exigindo que países forcem os bancos a ter informações completas sobre as transferências de recursos. Sobre as transferências para contas que não possuem nome ou endereço, a entidade sugere controles mais rígidos.
Já os bancos garantem que o fim do segredo não significa que as contas serão tornadas públicas. Um amplo grau de privacidade continuará a existir, o que garantirá para a praça financeira de Genebra e Zurique a manutenção de alguns de seus principais clientes. Apenas em Genebra, o setor bancário representa 18% do PIB. O que deixará de existir é a proteção que as contas dariam a suspeitos.


