Brasília, 17 (AE) - O pior desempenho da balança comercial e a elevação dos pagamentos de juros ao exterior provocaram uma piora nas contas externas em março. No mês, o déficit de transações correntes (operações de comércio e serviços que o País realiza com o exterior) chegou a US$ 1,880 bilhão em relação ao resultado negativo de US$ 1,252 bilhão ocorrido em fevereiro. Enquanto o saldo da balança comercial caiu do superávit de US$ 78 milhões, em fevereiro, para US$ 42 milhões, em março, a conta de serviços, que tem os juros como componente principal, fez o caminho inverso e saltou de US$ 1 470 bilhão para US$ 2,070 bilhões no mesmo período.
Quando comparado com março do ano passado, no entanto, pode-se verificar uma retração no déficit em transações correntes pois, naquele mês, o resultado foi negativo em US$ 1 948 bilhão. No acumulado deste ano, o déficit em transações correntes ficou em US$ 4,072 bilhões, ou 2,62% do Produto Interno Bruto (PIB) do período, ante os US$ 5,220 bilhões, ou 3 95% do PIB, ocorridos no mesmo trimestre do ano passado.
Na avaliação do chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, Altamir Lopes, "neste ano houve uma recuperação significativa em relação ao déficit dos primeiros três meses de 1999". Ele lembrou que o déficit de US$ 4,072 bilhões é o melhor resultado desde o primeiro semestre de 1996.
Segundo Lopes, o governo trabalha com a meta de fechar este ano com um déficit em transações correntes entre US$ 23 e US$ 24 bilhões, ou aproximadamente 3,6% do PIB do ano. No acumulado em doze meses encerrados em março, este déficit ficou em US$ 23,226 bilhões, o correspondente a 4,01% do produto. Até março do ano passado, o resultado estava negativo em US$ 32,783 bilhões, o equivalente a 4,54% do PIB.
O chefe do Depec está seguro que o Brasil cumprirá sem problemas a meta traçada pelo governo para o déficit em transações correntes. Pois, segundo ele, a crise que o mercado internacional está vivendo em função da queda das bolsas não afetará o fluxo de investimentos diretos para o País. "Tenho a certeza que os investimentos diretos continuarão sendo suficientes para financiar o déficit em transações correntes", garantiu. Com o ingresso de US$ 2,005 bilhões em março, estes investimentos totalizaram US$ 6,758 no ano. "Mais do que suficientes para cobrir o déficit em conta-corrente", salientou.
Até ontem, os ingressos de investimentos diretos em abril atingiram US$ 881 milhões totalizando, portanto, US$ 7,639 bilhões este ano. "Os investimentos estão fortes e vão continuar", afirmou Lopes. Com estimativas mais conservadoras, o chefe do Depec acredita que, este ano, estes investimentos chegarão a US$ 26 bilhões. Mas o diretor de Assuntos Internacionais do BC, Daniel Gleizer, já afirmou que eles atingirão US$ 30 bilhões. Lopes enfatizou que o investidor direto diferencia-se de outros porque "ele investe em novos nichos e sempre olhando para o futuro".
Uma parcela de 67,5% dos ingresssos deste ano foram destinadas a serviços. Neste segmento, um total de US$ 1,25 bilhão foi aplicado em energia na área de utilidade pública. Em seguida, ficaram comunicações, com US$ 880 milhões, o comércio, com US$ 550 milhões, e os provedores da Internet ,com US$ 390 milhões. Em comércio estão serviços de hotelaria, de alimentos e
ainda, de abastecimento. Mais precisamente os supermercados, destacou o chefe do Depec.
No primeiro trimestre as remessas líquidas de lucros e dividendo foram de US$ 575 milhões. Até o último dia 17, as remessas brutas chegaram US$ 345 milhões. As viagens internacionais geraram remessas líquidas de US$ 317 milhões entre janeiro e março e de US$ 77 milhões até hoje. IBEP INSTITUTO BRASILEIRO DE ESTUDOS POLíTICOS 1

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