Contas externas: déficit compromete 77,6% das reservas
São Paulo, 20 (AE) - A queda simultânea do saldo das reservas internacionais pelo conceito de caixa e do déficit em transações correntes do balanço de pagamentos acumulado em 12 meses manteve praticamente inalterado o indicador de risco, que considera a relação de comprometimento das reservas com a cobertura do déficit externo, revelam dados do Banco Central divulgados ontem. Em dezembro de 1998, o déficit em conta corrente alcançava US$ 33,611 bilhões ou o equivalente a 77%. Em julho deste ano, o déficit acumulado em 12 meses caiu a US$ 32 099 bilhões frente a um saldo de reservas de US$ 41,346 bilhões.
O comprometimento das reservas com o rombo externo passou a 77,6%. Sob este ponto de vista -considerado relevante por analistas internacionais para quem comprometimento acima de 50% é grave- o Brasil pouco progresso demonstrou no primeiro semestre deste ano. É fato, porém, que no acumulado em 12 meses, o volume total de investimentos externos diretos atingiu US$ 32 386 bilhões no final de julho. Esta cifra cobre, portanto, o déficit em transações correntes. Apesar do destaque dado pelo Banco Central a esta relação, o mercado fica com o pé atrás por considerar que investimentos diretos avançam com investimentos físicos no País -programados anteriormente por inúmeros grupos estrangeiros ou brasileiros em parceria com estrangeiros- e tendem a ampliar ao longo do tempo o nível de remessas de lucros e dividendos.
Mais confortável ao País seria a expansão de reservas mediante a obtenção de superávits comerciais, considerados captação nobre de divisas, que depende fundamentalmente da competitividade dos produtos brasileiros e menos do humor e interesse de investidores sejam eles dedicados ao mercado financeiro ou provedores de capital de risco. (Angela Bittencourt)





