São Paulo, 25 (AE) - O mercado financeiro levou um susto com o resultado de maio das contas do governo. O saldo negativo, de R$ 796 milhões, é o primeiro do ano e contrariou as estimativas mais pessimistas dos economistas. A reação do mercado foi imediata.
Após a divulgação dos dados, às 11h30, a Bolsa de Valores de São Paulo, que operava em ligeira alta de 0,20% a 0 30%, passou a cair e na hora do almoço já apresentava uma desvalorização de 1,8%. O dólar voltou a superar a barreira de R$ 1,80, depois de registrar queda na abertura do mercado, ao ser cotado a R$ 1,7820.
O principal título da dívida externa brasileira renegociada, o C-Bond, reverteu os ganhos do início do dia e passou a operar em baixa. Por volta das 12 horas, caía 1,17%. Os juros futuros também iniciaram a trajetória de alta. Os contratos que sinalizam de setembro, os mais negociados, pularam de 21,32% ao ano para 22,20%. No fim do dia, recuou para 21 96%.
A surpresa com a piora dos números do Tesouro no Brasil, entretanto não foi o único motivo da pressão do mercado. Já no início do dia, operadores advertiam que cautela iria prevalecer nos negócios.
O mercado estava de prontidão diante da possibilidade de um novo frenesi provocado pelo mercado americano, que ontem se comportou bem, fechando até em alta (0,2%) pela primeira vez em uma semana. Mas a tendência é de instabilidade da bolsa norte-americana com o aumento dos juros que deve vir por aí.
A tensão na América Latina também teve sua participação no quadro de ontem, mas analistas foram unânimes em afirmar que o resultado das contas do govenro de maio foi deciso para a piora das expectativas.
Isso porque os dados ficaram muito aquém do esperado. De acordo com a Tendências Consultoria Integrada, a expectativa era de um saldo fiscal positivo entre R$$ 700 milhões e R$ 800 milhões, e não negativo. Depois do revés com o Comitê de Política Econômica na quarta-feira, não poderia haver notícia pior para fechar a semana, disse um operador, destacando que o resultado foi como uma ducha de água fria.
Muitos operadores associaram os números negativos à decisão do Copom de reduzir os juros, na quarta-feira, em apenas um ponto, quando se esperava por uma queda maior. "Certamente o governo já tinha em mãos esses números no dia do Copom", afirmou um operador.
Para o economista Roberto Padovani, a definição da taxa de juros e os fracos resultados fiscais vêm em um momento ruim, quando as expectativas de um ajuste mais forte nas taxas nominais de juros nos Estados Unidos vinham deixando o mercado nervoso. Por isso, a reação tão tempestuosa.

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