Contas CC-5 podem ter sido usadas para tráfico de drogas
Agência Estado
A CPI do Narcotráfico aprovou ontem a quebra de sigilo bancário de todas as pessoas que enviaram dinheiro ao exterior nos últimos cinco anos, por intermédio das chamadas contas CC-5, do Banco Central. O relator da CPI, deputado Moroni Torgan (PSDB-CE), disse que recebeu informações sobre remessas de dinheiro de narcotraficantes ao exterior pelas CC-5.
Grande parte do dinheiro enviado pelas CC-5 pode ser dinheiro lavado por narcotraficantes, disse Moroni Torgan. A CPI vai enviar um requerimento ao Banco Central pedindo um levantamento pormenorizado dos nomes das pessoas e dos volumes de recursos enviados ao exterior.
Torgan afirmou que a CPI também vai pedir a quebra dos sigilos bancários de todas as casas de câmbio do País que sejam suspeitas de lavagem de dinheiro do narcotráfico. O deputado disse que já foi enviado pedido de informações à Receita Federal e ao Banco Central, com investigações feitas nos últimos anos sobre as transações financeiras das casas de câmbio.
A decisão da CPI em quebrar os sigilos das casas de câmbio foi tomada a partir de depoimento do secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, no mês passado, onde revelou que as casas de câmbio lavam boa parte do dinheiro ilegal que transita no País. Torgan afirmou que a investigação conjugada das CC-5 e das casas de câmbio permitirá a identificação das pessoas que lavam dinheiro no País.
A CPI quer chegar aos principais traficantes brasileiros que fazem parte de uma quadrilha que tem seu principal braço no Paraguai. Torgan afirmou que a quadrilha é liderada por um paraguaio. Segundo informações que a CPI recebeu da Polícia Federal, este paraguaio leva armas para os guerrilheiros da Colômbia, que pagam as armas com cocaína, que é distribuída no Brasil.
Os parlamentares da CPI também acreditam que será possível, a partir das CC-5, casas de câmbio e de outras pessoas já identificadas como traficantes, chegar também aos narcotraficantes brasileiros que fazem parte das quadrilhas do Suriname e do Acre.
Ontem a CPI ouviu o major da Aeronáutica Luiz Antôno da Silva Greff, acusado de ajudar no embarque de 32,9 quilos de cocaína em um avião Hércules da Força Aérea Brasileira (FAB). O major, em seu depoimento, tentou diversas vezes inocentar os colegas envolvidos no narcotráfico. O major disse que foi ardilmente envolvido no narcotráfico e prometeu provar sua inocência.
Na próxima terça-feira, a CPI volta a ouvir o traficante Antônio da Motta Graça, o Curica, que já depôs no início desta semana na mesma comissão. O deputado Moroni Torgan pediu reforço do policiamento na Câmara dos Deputados, para ouvir o traficante.





