Brasília, 12 (AE) - As contas do setor público deverão apresentar um superávit primário (que exclui as despesas com juros) de cerca R$ 10,7 bilhões de janeiro a maio, antecipou à AGÊNCIA ESTADO o diretor de Política Monetária do Banco Central, Luiz Fernando Figueiredo. Esse resultado engloba as contas do Governo Central (Tesouro Nacional, Previdência e Banco Central), estatais, estados e municípios.
O superávit contraria as expectativas do mercado financeiro, que esperava uma piora considerável das contas do setor público depois que o Tesouro Nacional divulgou, há três semanas, que o Governo Central tinha apresentado um déficit primário de R$ 796 milhões em maio. O diretor do BC afirmou que as metas fiscais acertadas com o Fundo Monetário Internacional (FMI) até junho estão garantidas.
Segundo Figueiredo, o resultado acumulado até maio está acima da meta prevista no acordo com o FMI para o período: R$ 9 45 bilhões. O diretor do BC destacou que, com esse resultado, há uma folga de R$ 1,2 bilhão para a meta ser atingida. "Temos tudo para atingir as metas até junho", disse Figueiredo. Ele lembrou que a meta prevista com o FMI de superávit primário em junho para todo o setor público é de R$ 3,433 bilhões. "Com essa folga, só vamos precisar de R$ 2,2 bilhões para alcançar as metas", afirmou o diretor do BC. Os dados são ainda preliminares e o resultado oficial de maio será divulgado somente na sexta-feira pelo chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes.
De janeiro a abril, o superávit primário do setor público era de R$ 10,585 bilhões. Com isso, se for confirmado o resultado até maio de R$ 10,7 bilhões, o setor público apresentará um superávit primário de cerca de R$ 115 milhões naquele mês.
Segundo o diretor de Política Monetária, Luiz Fernando Figueiredo, o Governo Central deve apresentar em maio um superávit primário de R$ 300 milhões pelo conceito abaixo da linha. Esse conceito leva em conta a variação do saldo da dívida e é o utilizado pelo FMI. "Esse conceito é que relevante", disse Figueiredo.
De acordo com Figueiredo, o conceito utilizado pelo Tesouro Nacional, ao divulgar o déficit do Governo Central de R$ 796 milhões em maio, foi o chamado "acima da linha", ou seja, que leva em consideração receitas menos despesas. Na época da divulgação do déficit de R$ 796 milhões, o mercado reagiu mal e as bolsas despencaram.

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