Contaminação por malária atinge cerca de 4,5 mil pessoas no Pará
revela Secretaria de Saúde Por Carlos Mendes, especial para a AE
Belém, 10 (AE) - O coordenador do Núcleo de Endemias da Secretaria de Saúde do Pará (Sespa), Amiraldo Pinheiro, admitiu hoje que é grave a situação em Nova Esperança do Piriá, no nordeste do Estado, onde 90 pessoas teriam morrido de malária nos últimos três meses. Segundo ele, levantamento do órgão revelou que há 4,5 mil pessoas contaminadas com a doença, que, no entanto, já estariam recebendo tratamento. "Montamos um plano de emergência para controlar a transmissão, fazer o diagnóstico e medicar os doentes".
O procurador da República Felício Pontes Júnior antecipou que o Ministério Público Federal deverá participar da apuração caso fique provado que verbas do convênio com o governo federal, destinadas à saúde, foram desviadas pela prefeitura de Nova Esperança do Piriá ao invés de serem utilizadas no trabalho de prevenção contra a malária. Felício definiu a situação como "absurda". O Ministério Público Estadual ainda vai estudar o caso para se manifestar sobre a possibilidade de mover uma ação contra a prefeitura. "Vou falar com o procurador-geral sobre isso", resumiu o procurador César Bibas.
O trabalho que a Sespa está fazendo, segundo Amiraldo Pinheiro, deve fazer com que os casos de malária "caiam consideravelmente nos próximos dias". Ele previu que dentro de um mês a doença estará sob controle naquele município. Pinheiro não confirmou nem desmentiu o número de mortes divulgado em Belém no último final de semana pelo padre Gerinaldo Messias de Carvalho, mas procurou minimizar o efeito da denúncia. "Acredito que algumas dessas mortes foram devido à desnutrição das pessoas ou por outras causas".
Para ele, o controle da malária é muito difícil de ser feito, principalmente devido ao tamanho do Estado do Pará, a situação econômica da população, além da presença do mosquito anofelino, transmissor da doença. O maior problema estaria na "intensa migração de pessoas", sobretudo na fronteira com o Maranhão. "Há uma desagregação populacional. As pessoas entram e saem das fronteiras do Pará. Isso dificulta muito o trabalho de controle da doença".





