Contaminação por HIV no Brasil fica estável
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quinta-feira, 24 de setembro de 1998
Roberta Jansen Agência Estado 
O porcentual de brasileiros contaminados pelo vírus HIV (0,6%) permanece estável nos últimos três anos, enquanto no mundo o crescimento foi de 40%. Nos vizinhos Argentina, Venezuela e Peru a porcentagem mais do que dobrou no mesmo período. Os números fazem parte do estudo epidemiológico e demográfico HIV Prevalence - concluído no último dia 17 e divulgado ontem no 2º Congresso Internacional de DST/Aids pelo epidemiologista suíço Roger Bernard, do Aids Feedback, responsável pela coordenação da pesquisa.
Com um pouco mais de esforço, em cerca de três anos, a porcentagem pode cair e o Brasil sair da faixa que consideramos de alta incidência para a chamada intermediária, afirmou Bernard. De acordo com os dados da pesquisa, o País manteve o porcentual de aproximadamente 0,6% de pessoas contaminadas e não está mais entre as maiores incidências de HIV na América Latina. Bernard atribui a estabilização ao trabalho que o ministério da Saúde vem desenvolvendo.
Na Argentina, por exemplo, o porcentual de contaminados era de 0,33% há três anos. Atualmente, a porcentagem chega a 0,67%. Peru e Venezuela tiveram um aumento semelhante. Há três anos, o porcentual nesses países era de, aproximadamente, 0,24% e 0,37%. Agora são de 0,56% e 0,68%.
A pesquisa não se limita a países da América do Sul. Com a chancela da Unaids, principal instituição européia de pesquisa de aids, o estudo faz um mapeamento da contaminação por HIV em todo o mundo. Os países de maior incidência são Botswana e Zimbábue, na África, onde os porcentuais chegam a 25,5% e 25,1% - um quarto da população. Para se ter uma idéia da gravidade da situação, isso equivale a dizer que para cada portador do HIV no Brasil existem cerca de 40 no Zimbábue. O drama na África é indescritível, disse Bernard.
Uma das maiores surpresas da pesquisa, na avaliação de Bernard, foi o porcentual registrado em Portugal: 0,7%. Há três anos, esse número não chegava a 0,15%. Nesse período, o país que se encontrava na faixa considerada de incidência intermediária, beirando a de baixa incidência, saltou para um nível acima, ultrapassando até mesmo o Brasil. A Espanha também surpreendeu. Na última pesquisa a incidência de HIV no país era de cerca de 0,51% e, atualmente, é de 0,57%, cruzando a fronteira do nível alto. Os Estados Unidos se mantêm na faixa de alta incidência, com 0,57%.
A pesquisa foi feita com base em dados do final de 1997, reunidos pelo Aids Feedback. O estudo considera a população adulta do mundo - pessoas entre 15 a 49 anos. De acordo com os números divulgados ontem, aproximadamente 1% da humanidade nessa faixa etária tem HIV/Aids.


