Contaminação por HIV entre jovens do Norte e Centro-Oeste é o dobro de SP e RJ
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sexta-feira, 10 de dezembro de 1999
Por Clarissa Thomé 
Rio, 10 (AE) - O índice de contaminação pelo vírus da aids entre jovens das regiões Norte e Centro-Oeste é mais do que o dobro do registrado no Rio e em São Paulo, mostra estudo do Ministério da Saúde e do Exército. Trinta mil rapazes, com idade entre 17 e 21 anos, que se alistaram para prestar serviço militar em 1998, foram ouvidos. Vinte e nove mil fizeram exame de sangue para detectar o vírus. O trabalho "Comportamento de Risco dos Conscritos do Exército", considerado um dos mais completos sobre o comportamento sexual dos jovens brasileiros, confirma que a epidemia está se expandindo nas região Norte e Centro-Oeste do País.
O índice de contaminação a cada mil alistados nestas duas regiões é de 1,94 enquanto no RJ e em São Paulo, é de 0,81. Entre os alistados do Sul, o índice é de 1,24."O Ministério da Saúde tem o número de doentes e isso reflete os infectados de 10 anos atrás; o trabalho mostra o número de jovens que está infectado agora, mas não adoeceu", diz a pesquisadora da Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz), Célia Landmann Szwarcwald, que analisou os questionários.
Em 1998, 800 mil jovens se alistaram para cumprir o serviço militar obrigatório. Os pesquisadores selecionaram moradores dos Estados onde as notificações de aids aumentaram entre 1990 e 1995: Rondônia, Amazonas, Pará, Tocantins e Matogrosso, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina . Rio de Janeiro e São Paulo, onde a doença está estabilizada, serviu de grupo de controle.
Para Célia, o fato de entre os jovens do Norte e Centro-Oeste a contaminação ser duas vezes maior do que no RJ e São Paulo indica que as campanhas de prevenção não abrangem o País todo. "É preciso campanhas específicas para essas regiões do Brasil", argumenta.
Risco - A pesquisa mostra que o comportamento de risco é proporcional à pobreza da região. "O impacto da infecção pelo HIV entre as populações mais pobres se dá por limites existentes à informação e educação para a adoção de práticas seguras", escreve o coordenador nacional do programa de aids do Ministério da Saúde, Pedro Chequer, no prefácio do trabalho.
No Norte e Centro-Oeste, onde a renda média familiar é de R$ 180,80 e 53% não completaram o primeiro grau, os jovens começam a vida sexual mais cedo (14,56 anos), tiveram em média 8 58 parceiros e apenas 30,5% afirmam ter usado camisinha em todas as relações sexuais no último ano. Resultado: 21,2% dos jovens tiveram algum tipo de infecção no pênis.
No Rio e em São Paulo o número de parceiros cai para 6 26 e 42,1% dos jovens garantem ter usado preservativo nos últimos 12 meses (entre os que completaram o segundo grau, o dado aumenta para 48,4%). Apenas 10,7% dos jovens tiveram alguma infecção sexualmente transmissível. A média de idade para o início da vida sexual é de 14,84. Os jovens do Sudeste têm melhor qualidade de vida: 44,5% terminaram o primeiro grau e a renda média é de R$ 287,30.
O Ministério da Saúde não tem estudo tão abrangente sobre as mulheres, mas Célia acredita que os dados sejam semelhantes. "A epidemia é como uma bola de neve que atinge a todos", afirma a pesquisadora.


