Londrina – A contaminação de um paciente pela bactéria super-resistente metallo-B-lactamase-1 (NDM-1), conhecida como Nova Délhi, obrigou o Hospital da Zona Norte (HZN) de Londrina a fechar o pronto-socorro (PS) ontem. Exames realizados no Laboratório Central do Estado (Lacen)confirmaram a contaminação em um homem de 81 anos, que morreu no último dia 2. O PS ficará fechado pelo menos até terça-feira quando o hospital espera realizar a higienização do local.
O paciente estava internado havia dois meses e a causa oficial da morte foi enfisema pulmonar. "Não há como saber se o motivo do óbito foi pela contaminação ou pela fragilidade do paciente, que estava em estado grave e tinha muitas complicações no seu quadro", ressaltou o diretor do HZN, Walter Marcondes Filho.
De acordo com Marcondes, todos os protocolos de investigação e orientação para evitar infecções foram seguidos pela Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) do hospital. "A contaminação desta bactéria se dá pelas mãos. O paciente esteve internado em outros hospitais antes de chegar aqui, então é difícil saber a origem da contaminação", frisou. O hospital restringiu as visitas aos pacientes e vai monitorar as pessoas, inclusive familiares, que tiveram contato com a vítima.
A preocupação da direção do hospital é em relação a outros três pacientes, que estavam internados na mesma ala do homem que morreu. Os três estão entubados, em estado grave e internados no PS. "Aguardamos os resultados dos exames para comprovar a contaminação ou não. Como os profissionais que cuidavam do paciente que morreu também atendiam esses três, existe a possibilidade de contaminação", declarou Walter Marcondes.
Equipes da Vigilância Sanitária do Estado e do município também foram acionadas e vistoriaram todas as dependências da unidade. O trabalho agora é para que o PS do hospital volte a atender o mais rápido possível. O objetivo do HZN é higienizar todas as alas para que a contaminação não se espalhe, mas para isso é necessário a liberação dos pacientes do PS. Dos 51 internados ontem, cinco haviam recebido alta até o final da tarde. "A nossa maior dificuldade é transferir os três pacientes que estão em estado grave. Vamos fazendo a higienização de forma parcial, conforme formos conseguindo liberar as alas", explicou Marcondes.
A presença de uma superbactéria reacende o problema da superlotação do HZN. A unidade tem 117 leitos, sendo 30 no PS, que não deveria manter pacientes entubados. O hospital sofre também com o número reduzido de profissionais, que ficam sobrecarregados em virtude do grande número de internados. "Pedimos que neste momento as pessoas não procurem o hospital. Não pela contaminação, mas sim pela superlotação", solicitou Marcondes. Os serviços de urgência e emergência, como Samu e Siate, também foram comunicados e estão encaminhado os pacientes para outros hospitais de Londrina.

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