Curitiba- A Vigilância Sanitária realiza periodicamente o acompanhamento dos exames de amostragem feitos em amendoim industrializado nos principais municípios paranaenses. A fiscalização está sendo realizada principalmente nos municípios com maior risco como Londrina, Maringá, Cascavel e Cianorte. ''As análises fiscais são feitas para orientar indústrias e consumidores. Nem mesmo o processo de industrialização pode acabar com os efeitos da aflatoxina no amendoim. É isso que precisamos mostrar'', declarou o engenheiro agrônomo Valdir Isidoro da Silveira, mestre em tecnologia de alimentos da Vigilância Sanitária.
Esta semana, o Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Defesa do Consumidor, órgão vinculado ao Ministério Público (MP) estadual, encaminhou uma requisição à Vigilância Sanitária e às secretarias municipais e estadual para que fiscalizem os atacadistas e fabricantes de amendoim para verificar a presença da substância aflatoxina no alimento. A aflatoxina é um componente químico produzido por fungos altamente cancerígenos. ''Ataca principalmente o aparelho digestivo e é muito perigoso'', explicou Silveira. O alerta sobre os riscos da substância à saúde foi feito por representantes da Associação brasileira da Indústria de Chocolate, Cacau, Amendoim, Malas e Derivados (Abicab).
Um estudo recente feito pela Abicab demonstrou que o Paraná é um dos estados com maior índice de contaminação de amendoim pela substância. De 40 empresas avaliadas, 24 apresentaram contaminação em proporção superior ao imposto pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). ''O Paraná não produz amendoim, portanto a contaminação não nasce no nosso estado. O problema é que a indústria compra o amendoim de São Paulo que vem contaminado, mesmo com certificação. É isso que estavamos agora fiscalizando. As próprias indústrias estão interessadas em acabar com esse tipo de problema'', argumentou o engenheiro.
A aflatoxina é produzida por dois tipos de fungos e está relacionada a doenças como câncer, cirrose, necrose do fígado, hemorragia nos rins, lesões na pele e hepatite B. A contaminação do amendoim pelo fungo ocorre no campo e pode se agravar em condições adversas de armazenamento. Danos causados por insetos ou durante a colheita favorecem a penetração do fungo e a produção da toxina. Atualmente, a indústria brasileira de amendoim tem faturamento de R$ 840 milhões por ano. São 42 mil empregos gerados neste setor, sendo que 10 mil nas lavouras, 8 mil nas indústrias e 24 mil empregos indiretos na comercialização do produto final.
A assessoria de imprensa da Abicab informou ontem que a toxina já está sendo controlada por todas as indústrias filiadas à associação. O Brasil produz 197 mil toneladas de amendoim e exporta para países como Estados Unidos, Paraguai, África do Sul, Argentina, Bolívia, Canadá, México, Uruguai e Angola. A Abicab representa 92% do mercado de chocolates e derivados do mercado nacional.

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