Contaminação de frangos na Europa anima exportadores brasileiros
PUBLICAÇÃO
domingo, 06 de junho de 1999
Por Mariângela Heredia 
Brasília, 07 (AE) - Os avicultores brasileiros estão acompanhando de perto a crise surgida na Europa com a contaminação de aves e porcos por dioxina - substância altamente cancerígena - na expectativa de ampliar as exportações nacionais de frango. Segundo o secretário-executivo da União Brasileira de Avicultura (UBA), João Tomelini, a contaminação na ração dada às aves, que foi detectada na Bélgica, aumenta as chances de o Brasil ocupar um espaço maior na Europa.
"A Bélgica produz e exporta para os outros países da União Européia e, sem dúvida, a qualidade do frango brasileiro poderá abrir novos mercados", avalia. As estimativas do setor para este ano são de exportações de 700 mil toneladas de frango, ou cerca de US$ 900 milhões. Atualmente as vendas brasileiras de partes de aves para a Europa concentram-se mais na Alemanha e a idéia do setor é ampliar um pouco as exportações para cada país.
Segundo João Tomelin, a UBA está avaliando que tipo de alimentação foi usada na Bélgica que resultou no problema da contaminação, até para resguardar o Brasil. Ele avalia que a recente descoberta de uma bactéria no frango exportado para o Japão não passou de uma barreira sanitária e diz que o setor está atento a este tipo de atitude.
Ao contrário do que espera o setor avícola nacional, o ex-secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Ênio Marques, avalia que deverá haver uma retração do consumo de frango na Europa a partir da contaminação surgida na Bélgica. "Isso provavelmente vai gerar mais incerteza no consumidor europeu, a exemplo do que aconteceu com a vaca louca", acredita.


