Contágio no Mercosul prejudicaria exportação, adverte Lloyds
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quarta-feira, 19 de maio de 1999
Por Lucinda Pinto 
São Paulo, 20 (AE) - O economista do Lloyds Bank, Odair Abate, afirma que uma eventual crise na Argentina poderia vir a reforçar as dificuldades que o Brasil tem enfrentado em recuperar suas exportações para os países do Mercosul. Abate observa que uma das consequências da desvalorização do real foi o desaquecimento das economias de países como Uruguai, Paraguai e, principalmente, Argentina, o segundo parceiro comercial mais importante do País, para quem o Brasil destina 13% de suas exportações.
Já que as importações para o Brasil tornaram-se mais difíceis com o real desvalorizado, é natural que as economias vizinhas, para quem o País é um importante mercado consumidor, acabem sofrendo. A consequência secundária desse fato é a queda das exportações do Brasil para essas economias.
Abate diz que, para se ter noção desse fenômeno, é possível observar que, no primeiro trimestre deste ano, as ex portações brasileiras aos países da Aladi recuaram 32,4% contra o primeiro trimestre de 1998, enquanto que as importações caíram 34% no mesmo período. Para a Argentina, a queda foi de 24,5% nas exportações e de 30,5% nas importações.
Já em relação aos Estados Unidos, a queda das exportações foi de 1%, enquanto que importações registraram redução de 17%; e para ásia houve queda de 1,5% no volume exportado contra queda de 18,6% nas importações. "Os países vizinhos dependem muito do Brasil para crescer e isso indica que o mal que a desvalorização do real gerou não é de mão única", afirma Abate.
Ele observa que já uma parcela da queda das exportações do Brasil aos países da América do Sul que será recuperada com o tempo, com prospecção de novos clientes e com ampliação das linhas de financiamento. "Mas há uma parcela que está relacionada ao desaquecimento das economias vizinhas e essa pode demorar para ser retomada", afirma Abate.


