Vinte e oito detentos fugiram durante a rebelião na cadeia pública de Ibaiti (Norte Pioneiro), que começou por volta das 21h de terça-feira (14) e terminou cerca de 12 horas depois, na manhã desta quarta (15). Um agente carcerário, rendido no início do motim quando ele removia o lixo das celas na ala principal, e dois detentos que foram feitos reféns foram liberados – apenas o carcereiro saiu ferido, com um dedo fraturado.

A rebelião começou na ala principal, que tinha 120 presos no momento da deflagração. A cadeia toda tinha 157 homens, enquanto tem capacidade para 19 presos provisórios. Após o motim, que destruiu as instalações, parte dos detidos foi transferida para Cornélio Procópio e Londrina.

Imagem ilustrativa da imagem Contagem indica que 28 detentos fugiram na rebelião da cadeia de Ibaiti
| Foto: Gina Mardones/Grupo Folha
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Com o carcereiro como refém, os presos conseguiram sair das celas e fugiram. Alguns fugitivos se aproveitaram de uma motocicleta apreendida, encontrada no pátio com a chave na ignição, e fugiram com o veículo. Outros que não conseguiram escapar atearam fogo nos colchões na entrada da 37ª Delegacia de Polícia Civil. O fogo destruiu as dependências da carceragem e da delegacia. Viaturas da Polícia Civil também ficaram destruídas e a rua ficou cheia de lixo.

Imagem ilustrativa da imagem Contagem indica que 28 detentos fugiram na rebelião da cadeia de Ibaiti
| Foto: Gina Mardones/Grupo Folha
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Esta é a segunda fuga registrada na cadeia de Ibaiti. No dia 12 de fevereiro, 16 presos aproveitaram o plantão de Carnaval para fugir. Em janeiro deste ano, outras duas tentativas de fuga foram registradas pelos policiais. No ano passado foram 16 delas. Em dezembro do ano passado 21 presos conseguiram fugir. Uma viatura da polícia foi incendiada pelos rebelados. Ainda não há notícias de mortos ou feridos.

Imagem ilustrativa da imagem Contagem indica que 28 detentos fugiram na rebelião da cadeia de Ibaiti
| Foto: Gina Mardones/Grupo Folha


No início do ano, a seccional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Ibaiti já havia solicitado a interdição da cadeia pública por más condições e pela superlotação. Moradores próximos à delegacia conversaram com a FOLHA sobre o início da rebelião.



Familiares dos detentos protestaram contra as más condições da cadeia.


Em março deste ano, um relatório do TCE-PR (Tribunal de Contas do Estado do Paraná) apontou que a inexistência de uma política pública para o setor carcerário, a falta de definição de atribuições e responsabilidades dos órgãos ligados ao setor e um baixo nível de governança são os responsáveis pelos atrasos nas obras de construção de penitenciárias, pelo agravamento da superlotação das cadeias públicas e pela deterioração das unidades penais.

A auditoria do TCE apontou que, conforme dados da Polícia Civil e do Departamento Penitenciário do Estado (Depen), em 10 de dezembro de 2017 havia 10.7295 presos em carceragens de delegacias e cadeias públicas no Estado ocupando 3.618 vagas, um déficit de 7.111 vagas, ou índice de superlotação de 196,5%. Ao mesmo tempo, o sistema penitenciário possuía, naquela data, 19.345 presos para 17.793 vagas, um déficit de 1.552 vagas, ou 8,7% de superlotação.

(Atualizada às 15h40)

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