Brasília, 17 (AE) - A Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) interrompeu, hoje, o trânsito em rodovias em nove Estados e no Distrito Federal, no "Dia Nacional de Trancamento de Rodovias", informou a entidade no fim da tarde. As manifestações promovidas pela Contag foram contra a lentidão da reforma agrária, a criação do Banco da Terra e a falta de uma política social no País.
Segundo a Contag, houve bloqueios no Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte, Sergipe, Ceará, Pernambuco, Maranhão, Distrito Federal, Amazonas, Mato Grosso do Sul e Piauí. O presidente da Contag, Manoel José dos Santos, disse que pretende discutir como presidente Fernando Henrique Cardoso uma política "diferenciada" para a agricultura, englobando assistência técnica e recursos para custeio, investimento e comercialização. Santos afirmou que a reforma agrária está parada e não há recursos para financiamentos. A Contag é contra a criação do Banco da Terra, por entender que ele substituirá o mecanismo da desapropriação.
O presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, Nélson Borges, disse que houve um "atraso" na reforma agrária este ano, mas que o governo vai acelerar o processo assim que estiver definida a nova linha de financiamento.
Brasília - Manoel José dos Santos comandou o protesto da Contag em Brasília., de cima de um caminhão de som. Por voltas das 8h45, o caminhão foi atravessado na BR-020, que dá acesso às cidades de Sobradinho e Planaltina e a toda a região Nordeste. Os manifestantes distribuíram panfletos aos motoristas, explicando as razões do protesto. .Milhares de pessoas que trabalham no centro de Brasília ficaram paradas no trânsito por mais de 30 minutos. A polícia fez um esquema alternativo, desviando o tráfego para outras localidades , mas o congestionamento chegou a seis quilômetros.
O protesto em Brasília durou uma hora e 30 minutos, mas acabou atrapalhando o trânsito em toda a parte norte da cidade, por onde trafegam caminhões que ligam a região Nordeste ao Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Cerca de 200 sem-terra fecharam as três pistas da rodovia perto do Posto Colorado, a 12 quilômetros do centro da cidade, com a ajuda do caminhão de som e mais três ônibus alugados. O protesto reuniu também idosos de áreas rurais que dizem não ter acesso à aposentadoria. Os sem-terra cantaram refrões como "um, dois, três, quatro, cinco mil, ou sai a reforma agrária ou paramos o Brasil". Muitos motoristas preferiram fazer um retorno de cerca de 30 quilômetros para chegar a Brasília, pela cidade do Paranoá.
A Contag pretendia colocar 500 pessoas no protesto de Brasília, mas quatro ônibus não conseguiram chegar ao local e ficaram retidos no congestionamento. Cerca de 50 sem-terra caminharam dois quilômetros entre os carros para chegar ao local. Até o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no DF, José Zunga, ficou retido no trânsito e não chegou ao local do protesto.
A maioria dos motoristas entrevistados, mesmo dentro de um congestionamento, disse apoiar o protesto da Contag. A pedagoga Anne Martins de Lima disse que telefonou para o chefe e informou que chegaria atrasada. "O protesto é válido", disse ela, "porque se ninguém abrir a boca não muda nada neste País". O corretor de seguros Waldeci Gonçalves Santos disse que deu todo o apoio ao movimento da Contag porque ainda não viu resultados na reforma agrária brasileira.
Polícia - O diretor de Policiamento e Fiscalização da Polícia Rodoviária Federal, Walter Ciocci, disse no início da noite que não havia recebido informações oficiais dos Estados. Afirmou que apenas Mato Grosso informou sobre fechamento de rodovia. No DF, disse ele, o fechamento ocorreu dentro da pista controlada pelo governo local.

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