''Dormir debaixo de uma lona ou num prédio público é tudo igual.'' Com esta declaração, o coordenador regional da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Claudio Fernandes, justificou a ocupação, na manhã de ontem, do estacionamento da regional do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), em Londrina, por trabalhadores rurais sem terra.
O grupo, que veio do acampamento em Porecatu (Norte) em cinco ônibus, queria que a gerência da Previdência Social intermediasse uma reunião entre os sem-terra e o Ministério da Reforma Agrária. ''Também viemos buscar esclarecimento sobre o arrolamento de bens da Usina Central do Paraná, já que 890 famílias foram despejadas de cerca de 11 mil alqueires de terra improdutiva do grupo Atala'', disse o coordenador. As famílias despejadas foram realocadas no acampamento da Fazenda Itaverá, em Alvorada do Sul (Norte).''
Segundo Fernandes, uma decisão judicial colocou a Usina Central como fiel depositária das terras: ''A dívida da empresa com a previdência é impagável, então por que o juiz não coloca os trabalhadores como fiéis depositários da terra para que a utilizem como sobrevivência enquanto a Justiça decide a reforma agrária'', questionou Fernandes.
A gerente executiva da regional do INSS em Londrina, Marilena de Almeida Marques, se propôs a encaminhar a reivindicação ao Ministério. Ela consultou a procuradoria da Previdência e viu que as terras pleiteadas pelos trabalhadores não pertencem ao INSS. ''Essa terra foi dada como garantia no pagamento de dívidas e não pode ser vendida. Só poderá ser transferida ao INSS em caso de execução fiscal'', elucidou.
''Entendemos que as áreas das fazendas Canaã e Itaverá, que somam 3 mil alqueires, já poderiam ser arroladas como pagamento da dívida da usina e desapropriadas já que os processos de execução fiscal estão adiantados'', comentou Fernandes. Hoje, a Contag deve procurar a regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Curitiba.

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