Contag e MST querem trancar estradas em 14 Estados e no DF amanhã
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terça-feira, 15 de junho de 1999
Por Sandra Sato 
Brasília, 16 (AE) - A Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) promete paralisar amanhã (17), por algumas horas, o tráfego nas estradas mais movimentadas de 14 Estados e do Distrito Federal. O protesto é contra a lentidão da reforma agrária, o fim de financiamentos para os agricultores rurais e a falta de créditos para assentados. As ações terão apoio do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) em alguns Estados.
As manifestações fazem parte do Dia Nacional de Trancamento de Rodovias. Elas devem ocorrer no Amazonas, Pará, Goiás, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Sergipe, Maranhão, Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná, além do DF.
O governo desconhecia até o fim da tarde de hoje que a Contag pretendia parar as rodovias nesta quinta-feira, mas prometia estar alerta e avisar a população tão logo se confirmem as interrupções de trânsito.
Informar - "Não é nossa intenção prejudicar as pessoas que estão nos carros, queremos apenas alguns minutos para dialogar com eles e expor o que está acontecendo com a reforma agrária e a agricultura familiar no País", disse o secretário de Política Agrária da Contag, Sebastião Neves Rocha. De acordo com ele, o governo gasta "rios de dinheiro" em campanhas para anunciar que está assentando famílias e o movimento só dispõe de meios como o trancamento das rodovias para "dizer a verdade à população".
Segundo Rocha, durante a interrupção do trânsito nas rodovias militantes vão informar aos motoristas que a reforma agrária no País parou este ano e que, se o governo não investir no campo, os sem-terra vão continuar sofrendo violência e morrendo. Será dito também que o orçamento do governo federal para assentar famílias de sem-terra não dá para "absolutamente nada" e que a agricultura familiar está esquecida.
Com o projeto de fundir os programas de Crédito Especial para a Reforma Agrária (Procera) e o nacional de agricultura familiar (Pronaf), ainda em andamento, o governo parou de emprestar dinheiro aos agricultores, diz o secretário. "Não tem volume de dinheiro nem taxa de juros definidos." Rocha argumenta que se o governo investisse na agricultura familiar poderia compensar o "desemprego brutal" registrado nas cidades. "Não beneficiaria somente os agricultores", garante, prevendo a criação de novos empregos, geração de renda no município próximo e aumento da arrecadação de impostos.
DNER - O Departamento Nacional de Estradas e Rodagem (DNER) e a Polícia Rodoviária Federal não tinham hoje nenhum esquema preparado para evitar a interrupção das rodovias. A Polícia Rodoviária disse que atuaria caso a caso, mas que os veículos utilizados para fazer as barreiras seriam multados. O DNER pretende passar à imprensa boletins informando aos motoristas que estradas estão bloqueadas.


