Contag diz que
ação do governo
é insuficiente
Agência Estado

Wilson Pedrosa/Agência Estado

(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)
DescontraçãoFernando Henrique, em visita ontem a Goiás, colhe algodão na fazenda do prefeito de GoiâniaO presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Manoel Santos, avaliou ontem em Recife as medidas anunciadas pelo governo federal de combate à seca como insuficientes para atender às necessidades dos flagelados e, consequentemente, para conter a ocorrência de novos saques e invasões de prédios públicos.
‘‘O governo se dispõe a alistar um milhão de trabalhadores nas frentes de emergência, mas o outro milhão que ficará sem comida nem perspectiva de renda, vai continuar dando trabalho, ocupando prefeitura e saqueando’’, afirmou em entrevista à imprensa ontem à tarde na Sudene. A Contag entregou ao superintendente da Sudene, Sérgio Moreira, na terça-feira, um documento com várias reivindicações e propostas nos planos emergencial e estrutural, para facilitar a convivência do nordestino com a seca.
O presidente Fernando Henrique Cardoso voltou a condenar ontem os saques a armazéns ocorridos nas regiões do Nordeste atingidas pela seca, em discurso no estádio de Acreúna, em Goiás, com referências irônicas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Para cerca de dez mil pessoas, muitas com faixas de agradecimento ao governo pela reforma agrária, o presidente afirmou que o saque só serve a quem quer fazer autopropaganda e ‘‘não é uma forma de ajudar ninguém’’. ‘‘Por isso, os saques precisam ser repelidos, repelidos com força’’, afirmou, ao participar do 22º aniversário de emancipação da cidade.
Fernando Henrique agradeceu a doação de sete toneladas de alimentos, feita pelos trabalhadores assentados na região. ‘‘Viva a liberdade e os assentamentos que trabalham’’, saudou, numa crítica aos assentamentos ligados do MST.

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