Contag critica plano do governo contra a seca
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sexta-feira, 22 de junho de 2001
Angela Lacerda Do Recife 
O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Manoel Santos, considerou insuficiente o plano de combate à seca anunciado anteontem pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. Segundo ele, o plano não atende ao número de agricultores afetados pela seca - calculado em 2 milhões pela entidade - e não afasta a possibilidade de ocorrência de saques no semi-árido nordestino.
Quem estiver desassistido não vai deixar de mostrar que precisa de atendimento, afirmou ele, frisando que o plano prevê o atendimento de cerca de 600 mil trabalhadores quando a Contag calcula que 2 milhões foram atingidos pela seca no Nordeste. Ele também demonstrou insatisfação em relação ao pagamento de R$ 60,00, equivalente a um terço do salário mínimo, para os flagelados alistados para o programa emergencial bolsa-renda, lembrando que nenhum outro plano emergencial pagou menos que a metade do mínimo. A reivindicação dos trabalhadores era de um salário mínimo mensal.
Manoel Santos frisou ainda que o plano manteve o caráter emergencial dos planos anteriores. Só vamos saber se serão realizadas ações estruturadoras se a seca acabar e o governo continuar investindo no semi-árido, disse ele, observando que o Governo Federal não investiu em obras que fortalecessem a infra-estrutura do semi-árido em nenhum dos intervalos entre as três últimas secas - duas durante o governo de Fernando Henrique e uma anterior, quando ocupava o Ministério da Fazenda do então presidente Itamar Franco.
Santos fez a avaliação depois de uma reunião com o ministro do Desenvolvimento Agrário e coordenadador das ações de convívio com a seca, Raul Jungmann, na sede da extinta Sudene, no Recife.
A criação do seguro-renda - que prevê o pagamento de meio salário mínimo (R$ 90,00) para o agricultor que comprovar ter perdido sua safra - foi o único ponto do plano reconhecido como algo novo e positivo na avaliação da Contag.


