Brasília, 18 (AE) - A Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), que parou o trânsito em rodovias de nove Estados e no Distrito Federal ontem (17), anunciou hoje que pretende ocupar agências do Banco do Brasil, Banco do Nordeste e Banco da Amazônia, em 15 Estados, nas próximas semanas. "Nós vamos intensificar os protestos contra o governo federal", disse o presidente da Contag, Manoel José dos Santos.
Serão convidados a participar da manifestação o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e outros movimentos sociais. A Contag também quer fazer "acampamentos" em frente às superintendências do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). De acordo com Santos, estão sendo mobilizados os 3,6 mil sindicatos rurais filiados à confederação em todo o País.
A Contag planeja um protesto mais duradouro, sem prazo definido para desocupar as agências de bancos oficiais de crédito. O fechamento das rodovias durou em média 2 horas. "Não está previsto o número de dias que vamos passar dentro das agências", disse Santos.
O presidente da Contag reclamou dos recursos da reforma agrária e afirmou que "tudo está parado desde novembro". Informado de que o ministro de Política Fundiária prometeu assentar 25 mil famílias em um mês, mesmo assim disse não estar animado com a notícia. Para Santos, os novos assentamentos irão recuperar o que o governo deixou de fazer nos últimos meses. "O prejuízo já é muito grande".
As lideranças da Contag planejam invadir as agências bancárias a partir do anúncio do plano de financiamento safra 1999/2000, que deve ocorrer ainda em junho. As lideranças apostam que os agricultores e sem-terra vão irritar-se com o pequeno volume de recursos para financiamento. Santos disse que o governo federal, ao divulgar uma única linha de crédito para reforma agrária e agricultura familiar, unificando o Procera com o Pronaf, estará desagradando a todos os tipos de agricultores. Os movimentos sociais esperam que sejam anunciados R$ 5 bilhões para a agricultura familiar e a reforma agrária, para esta safra. "Não vamos aceitar o crédito que estão anunciando, em torno de R$ 3 bilhões", disse.
O ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, lamentou hoje os protestos que a Contag está promovendo no País. "A Contag penalizou a sociedade brasileira e desrespeitou o direito de ir e vir", disse Jungmann, referindo-se ao fechamento das rodovias. "Foi um tiro no pé". Sobre a intenção de invadir agências, o ministro disse que "a Contag segue um ritmo acelerado de autodestruição, a continuar desse jeito, a Contag deixará de ser uma confederação para virar movimento", avaliou.

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