Brasília, 05 (AE) - A Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricutura (Contag) pretende ocupar amanhã (06)
durante a comemoração do Dia Nacional de Ocupação da Terra, mais de cem propriedades rurais em todo o País. O anúncio foi feito hoje pelo diretor de Política Agrária da entidade, Sebastião Neves Rocha. Segundo ele, a confederação já enviou comunicado a todas as federações de trabalhadores rurais e seus respectivos sindicatos com orientação para que instruam os sem-terra a ocupar fazendas. "Vamos ocupar fazendas em pelo menos 20 Estados e atingir um mínimo de cem fazendas em todo o País", disse, pouco antes de reunir-se com representantes de sindicatos rurais de alguns Estados, hoje.
Amanhã pela manhã, em Brasília Rocha e os presidentes de todas as federações de trabalhadores rurais farão uma avaliação do número de propriedades invadidas. "Nós vamos fazer o maior número de invasões possível", afirmou. Ele, porém, não deu detalhes sobre os locais das ocupações em massa, mas adiantou que somente em Pernambuco estão programadas 20 invasões de terra. Em Minas Gerais, disse ele, estão previstas dez grandes ocupações de áreas rurais. A expectativa é que o movimento obtenha mais apoio onde a entidade é mais forte, como Minas e Pernambuco. Além desses estados, os organizadores esperam obter grande adesão também em Goiás, Bahia, Maranhão, Rio Grande do Norte, Pará e Tocantins.
A Contag, no entanto, não conseguiu a adesão de filiados de importantes estados. Rocha afirmou que as federações nacionais de São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina não deverão aderir ao movimento de amanhã. Segundo ele
esses Estados são marcados pela forte presença e domínio do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). "Esses Estados são o berço do MST e as federações de trabalhadores na agricultura são mais ligadas à agricultura familiar", disse. "A federação dos trabalhadores rurais de São Paulo não trata a reforma agrária como prioridade", afirmou. "A Contag não precisa do apoio do MST para fazer as invasões e cada um faz a sua programação", disse.
Rocha acredita que a maioria das 20 mil famílias que segundo ele estão acampadas atualmente participem das invasões em série. "Todas estas 20 mil famílias estão aguardando desapropriações e irão ocupar ao mesmo tempo", disse. "Estamos conscientes que será um sucesso total", completou. Protesto - Rocha antecipou que a diretoria da Contag já deliberou que não irá reunir-se com o governo para discutir o "Novo Mundo Rural", a nova política de reforma agrária a ser adotada pelo governo e que deverá ser anunciada até o próximo dia 15. As ocupações em série, explicou, é para protestar contra essa nova política de reforma agrária. "Este Novo Mundo acaba totalmente com qualquer perspectiva de ser realizar a reforma agrária no Brasil", disse Sebastião.
A Contag já deliberou que não irá participar das discussões para a definição desta nova política porque o governo federal está trocando o instrumento da desapropriação de terras pela compra direta. Segundo ele, a Contag só negocia metas com o governo, exemplo da reivindicação de 250 mil famílias assentadas ainda este ano, mais que o dobro do que foi prometido pelo Ministério de Política Fundiária.
A Contag reivindica ainda crédito de R$ 2,5 bilhões para a reforma agrária ainda este ano e a extinção do Banco da Terra. A entidade também não aceita, segundo Rocha, discutir a extinção do Programa de Crédito Especial para a Reforma Agrária (Procera)
que empresta dinheiro com subsídio de 50%, que o governo pretende unificar com o Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf).

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