Contag ameaça bloquear banco e estrada
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quinta-feira, 19 de outubro de 2000
Chico Araújo e Edson Luiz Agência Estado De Brasília 
A Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) decidiu radicalizar suas ações. A partir da próxima semana, em pelo menos 18 Estados poderá haver bloqueio de rodovias, ocupação de agências bancárias e sedes do Incra. A reação da entidade, que tem 2,5 milhões de filiados, é em protesto ao governo pelo não-atendimento da pauta de reivindicações entregue ao presidente Fernando Henrique Cardoso, em maio, durante o Grito da Terra Brasil.
Em cada Estado, a Contag está programando manifestações com, pelo menos, 1.500 agricultores. As ações estão previstas para até o próximo dia 26, mas a entidade não descarta estendê-las por mais tempo, dependendo da resposta do governo. O Movimento dos Sem Terra também prepara uma série de manifestações em todo o País, provavelmente após as eleições, em protesto contra as denúncias de desvio de crédito da reforma agrária, feitas pelo governo federal. Os líderes do MST estão orientando os militantes a radicalizar as ações.
A Contag faz pressão para forçar a liberação de R$ 4,2 bilhões para a safra 2000/2001. O governo anunciou que R$ 4,03 bilhões já foram disponibilizados, mas levantamentos da Contag mostram que apenas R$ 2,8 bilhões estão disponíveis, 31% a menos do valor anunciado. A entidade reclama, ainda, que o governo não cumpriu as promessas relativas aos Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).
As atitudes do governo causaram insatisfação e revolta no campo, diz o presidente da Contag, Manoel dos Santos, alertando que o resultado do não-cumprimento das promessas pode acarretar consequências imprevissíveis. Já cansamos de ser enganados. Santos afirma que, atualmente, o clima de revolta é intenso no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, onde já é época de plantio e os agricultores não receberam o dinheiro prometido pelo governo.
O ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann, nega que o governo esteja descumprindo o acordo firmado com a Contag. Segundo ele, os recursos para custeio da safra estão sendo liberados de acordo com o calendário agrícola de cada região. Jungmann explicou que os R$ 4,2 bilhões anunciados são destinados à safra 2000/2001, que se estende até junho do próximo ano. Por esse motivo, segundo o ministro, o dinheiro não pode ser liberado integralmente em um único semestre.
Jungmann nega, também, que o governo tenha a intenção de reduzir em 9,5% os recursos da reforma agrária. A redução, segundo comunicado da Contag, serviria para aumentar em 78% o orçamento do Banco da Terra. Na opinião do ministro, as manifestações da Contag contra o governo estariam sendo programadas em função do período pré-eleitoral na entidade.


