Contador da megaquadrilha agia em Umuarama
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quinta-feira, 05 de maio de 2005
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
A Delegacia de Polícia Federal de Maringá divulgou ontem os nomes dos principais suspeitos e das empresas que integrariam uma das maiores quadrilhas de contrabandistas do país. Batizada de Operação Hidra, a ação desencadeada anteontem prendeu 30 pessoas no Paraná, sendo 10 policiais rodoviários e um escrivão da própria PF. Entre os suspeitos presos no Estado está Jackson Esthesne, homem apontado como sendo o chefe paranaense e contador geral da Firma apelido da quadrilha , que tinha bases operacionais em Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e São Paulo. Em todo o país, foram realizadas 64 prisões. A organização chefiada por José Donizeth Balan teria surgido no Paraná, agia em praticamente todos os estados e controlava 50% de todo o contrabando trazido do Paraguai. O movimento mensal chegaria a R$ 30 milhões.
De acordo com o agente de comunicação da PF em Maringá, Celso Secolo, Esthesne teria sido alçado à condição de segundo homem da Firma e principal articulador no Paraná após o retorno do empresário José Donizeth Balan para o Mato Grosso do Sul. Ele fazia parte do primeiro escalão e era uma espécie de conselheiro de Balan. Chefiava a parte paranaense e atuava como contador de toda a movimentação da quadrilha, detalhou o agente. Estenis, que foi preso em Umuarama, tinha como seu braço direito Éder Fabicheo, que também foi preso na mesma cidade. Conseguimos pegar todas as pessoas no Paraná que tinham relevo dentro da organização, destacou Secolo.
Praticamente todos os 104 mandados de busca e apreensão e outros 87 de prisão expedidos pela Justiça Federal de Maringá já haviam sido cumpridos até o final da tarde de ontem. As ações ficaram concentradas no noroeste e norte paranaense, onde 30 pessoas foram presas e 30 carretas foram apreendidas, além de muitos computadores, armas, dólares e reais e grande quantidade de documentos. Todo o material deverá ser investigado e só depois a PF terá condições de apurar qual era a real movimentação financeira da quadrilha. Mas a estimativa inicial chegaria e R$ 30 milhões mensal.
Os nomes e as funções dos principais suspeitos de envolvimento no esquema de contrabando foram divulgados ontem pela PF (ver quadro). Porém, as identidades dos policiais lotados na 2ªe 4ªcompanhias da Polícia Rodoviária Estadual em Londrina e Maringá, respectivamente, não foram revelados. Secolo argumentou que as identidades teriam sido preservadas porque os mandados de prisão são temporários e a efetiva participação deles ainda precisa ser comprovada. Eles foram presos para não atrapalhar as investigações. Existem indícios mas a (comprovação da) participação deles ainda exige um aprofundamento maior, explicou o agente.
A quadrilha de contrabandistas era investigada pela PF há mais de 10 meses e atuava na compra, venda e transporte ilegal de mercadorias de alto valor de mercado como eletroeletrônicos, equipamentos de informática, cigarros, materiais e equipamentos médicos, medicamentos e compostos farmacêuticos, agrotóxicos e pneus. As investigações indicam que pelo menos 150 pessoas fariam parte da estrutura direta da Firma.


