O Instituto Brasileiro de Defesa do Usuário de Medicamentos (Idum) condiciona o crescimento do mercado de remédios genéricos à maior participação e estímulo dos governos federal, estaduais e municipais. A melhoria aconteceria tanto pela fiscalização como na aquisição de mercadoria. Atualmente, apenas a União gasta R$ 3 bilhões importando medicamentos com nome comercial. Se a compra fosse de genéricos, o Idum estima que haveria uma economia de R$ 1,5 bilhão.
‘‘Por isso, as federações e os conselhos regionais de farmácias e de médico, junto com o Idum e a Sociedade Brasileira de Vigilância de Medicamentos, lançam a segunda etapa da Campanha Nacional em Defesa dos Medicamentos Genéricos’’, afirmou o presidente do Idum, Antônio Barbosa da Silva. Nesta etapa, as entidades participantes querem que os órgãos públicos passem a adquirir nas licitações produtos genéricos. ‘‘Também está se reforçando a importância do trabalho dos farmacêuticos e médicos no acesso a esses medicamentos’’, disse.
‘‘Apenas com a primeria etapa da campanha foi possível diminuir a venda de medicamentos com nomes comerciais, substituindo por genéricos’’, disse Antônio da Silva. Ele informou que, de maio do ano passado ao mesmo mês deste ano, a maioria dos 300 medicamentos mais usados no mercado tiveram quedas em seus faturamentos, mesmo após aumento de preços pelas indústrias farmacêuticas. A causa seria a concorrência com medicamentos genéricos ou similares. O cataflam, por exemplo, rendeu 20,9% menos para a fábrica. ‘‘No entanto, outros tiveram quedas de até 50% na rentabilidade, forçando queda nos preços’’, afirmou.
O diretor da Federação Nacional de Médicos, Jorge Darze, entende que a participação do profissional da saúde é importante para reduzir os preços. ‘‘Existem 75 milhões de brasileiros que não conseguem comprar ou continuar um tratamento devido aos altos custos dos medicamentos’’, afirmou.
No Paraná, a presidente do Conselho Regional de Farmácia, Célia Fagundes Cruz, avalia que o problema é a pressão dos laboratórios junto aos estabelecimentos farmacêuticos. Uma das táticas usadas para manter a venda de produtos tradicionais é um desconto especial aos proprietários, que repassam parte dos ganhos aos balconistas. ‘‘E então funciona a empurroterapia’’, afirmou. Para combater esse processo, os integrantes da campanha querem maior fiscalização sobre as vendas. ‘‘O usuário deve comprar apenas onde existem farmacêuticos de plantão’’, afirmou Antônio Barbosa da Silva.

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