Consumo de tabaco gera prejuízos de R$ 56,9 bilhões
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quarta-feira, 31 de maio de 2017
Viviani Costa<br>Reportagem Local 

Doenças pulmonares, cardíacas, cânceres e casos de AVC (Acidente Vascular Cerebral) estão entre as principais causas de internação relacionadas ao consumo de tabaco no Brasil. Estudo lançado pelo Ministério da Saúde em parceria com o (Inca) Instituto Nacional de Câncer revela que os prejuízos nas redes pública e particular de saúde chegam a R$ 56,9 bilhões por ano. Em contrapartida, o volume de impostos arrecadados no País com a venda de cigarros foi quase cinco vezes menor em 2015 (R$ 12,9 bilhões). Naquele ano, mais de 156 mil pessoas morreram em razão do consumo de tabaco.
Com a divulgação dos dados no Dia Mundial sem Tabaco, comemorado nesta quarta-feira (31), o Ministério da Saúde listou medidas já adotadas para reduzir o consumo do produto no País. A principal delas foi o aumento de impostos sobre o cigarro. Entre 2006 e 2016 houve queda de 35% na quantidade de fumantes nas capitais brasileiras.
No entanto, para o pneumologista Guilherme Fazolo, falta fiscalização nas fronteiras por onde passam os produtos contrabandeados. "O governo, durante muito tempo, só pensou no ganho imediato com o cigarro, mas o mercado passou a ser dominado pelos produtos contrabandeados. Para cada maço tradicional há dez maços paraguaios circulando por aí. Falta fiscalização nas fronteiras e também nas vendas em geral para conter o consumo desenfreado", ressaltou.
Nesta semana, a OMS (Organização Mundial de Saúde) alertou os países em geral para a necessidade da implantação de medidas como a proibição da publicidade do tabaco e do consumo de cigarro em locais públicos fechados, além da necessidade de aumentar impostos ligados ao setor. "As políticas públicas no Brasil são exemplo no combate ao cigarro. A incidência de fumantes tem diminuído nos últimos anos. Se a gente imaginar que na década de 1940 mais ou menos 40% da população adulta era fumante; hoje isso está em torno de 20%. O problema é que, em números absolutos, a população do Brasil aumentou muito", relatou. "Todo mundo sabe dos malefícios. A nicotina é uma droga que dá prazer e vicia. Há mais de 4 mil substâncias nocivas no cigarro e a pessoa acaba ficando presa por causa da nicotina. Não é incomum ter, no consultório, filhos de pais que sofreram de enfisema e acompanharam o tratamento, mas que também ingressaram no vício. Acaba sendo cultural", afirmou o pneumologista.
PRODUÇÃO
A ações de combate ao fumo contrastam com os lucros do setor. A região Sul do Brasil é responsável por 97% do tabaco produzido no País. Conforme o presidente da Afubra (Associação dos Fumicultores do Brasil), Benício Werner, a expectativa é de que sejam comercializadas 706 mil toneladas da safra 2016/2017, o que representa, aproximadamente, R$ 6,4 bilhões. O Paraná, terceiro maior produtor, é responsável por 21% da safra. O Estado perde para o Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
Werner admitiu que a produção tem sido reduzida nos últimos anos e o número de famílias envolvidas no trabalho no campo diminuiu de 159.595 (na safra 2012/2013) para 150.240 (na safra atual). O presidente rebateu possíveis danos ambientais que possam ser gerados pela produção de tabaco. "Não há danos à saúde do produtor porque ele usa EPI (equipamento de proteção individual). Não há danos ao meio ambiente porque nós não usamos mata nativa há, no mínimo, 30 anos ou mais para a produção do fumo. Quem fizer isso é excluído da produção de tabaco. Temos a maior área reflorestada de todas as culturas".


