Consumo de garapa despenca em Londrina
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 23 de março de 2005
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Amedrontados com o surto de mal de Chagas em Santa Catarina e com a suspeita de que a contaminação tenha ligação com a cana-de-açúcar, boa parte dos consumidores de garapa em Londrina simplesmente deixaram de consumir a bebida. Desde segunda-feira, os garapeiros vêem o movimento ficar cada dia menor. A Vigilância Sanitária garante, porém, que não há motivos para pânico uma vez que o problema parece ser pontual e não deve se alastrar para outras regiões.
''As vendas caíram quase 100%'', disse o vendedor Daniel Neves, 55 anos, que comercializa garapa na avenida Madre Leônia Milito (Zona Sul). Acostumado a vender quase 100 copos da bebida por dia, ontem não tinha vendido nada até as 16 horas. Anteontem vendeu apenas seis. Ele garantiu a boa higienizição da cana e a procedência da cana, comprada de um fornecedor em Cambé.
Na mesma avenida um outro vendedor, Célio César, 66, também reclamou que o consumo de garapa caiu quase 70%. O consumidor Fábio Kikuti, 24, chegou do Japão recentemente e não teve medo de se refrescar do calor com um belo copo de caldo de cana. ''Pelo que sei até agora foi uma coisa que aconteceu só lá (em Santa Catarina) e acho que por aqui não tem problema'', comentou.
Uma das únicas garapeiras da cidade a contar com a própria plantação de cana, a vendedora Neusa de Souza, 55, que tem um quiosque no Centro confirmou a queda. Sua família está no ramo desde 1953 e a venda diminuiu de até 100 copos por dia para cerca de 30. Segundo ela, muitos consumidores comentam sobre o surto de doença de Chagas no Estado vizinho. Apreciador constante do caldo de cana, o empresário Marcos Guido, 31, falou que o problema não vai fazê-lo parar de consumir a bebida.
O gerente da Vigilância Sanitária em Londrina, Marcelo Viana de Castro, disse que, por enquanto, não recebeu nenhuma orientação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ou Secretaria de Estado da Saúde para ampliar a cautela com os garapeiros. Ele disse que são feitas fiscalizações de rotina e até o momento não há indícios de contaminação.


