São Paulo - O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou ontem, em reunião entre membros do Conselho Nacional de Saúde (CNS), em Brasília, que o consumo de crack no Brasil não é uma epidemia.
''Não acho que haja uma epidemia de crack. O grande vilão é o álcool. Ainda assim, nós da saúde não podemos esperar que a questão se torne uma epidemia para agirmos. É uma nova realidade e um desafio ao campo da saúde pública'', disse Padilha.
Não houve consenso entre os conselheiros do conselho quanto aos requisitos técnicos que envolvem a questão. De acordo com o coordenador de doenças mentais do Ministério da Saúde, Roberto Tykanori, não há uma série histórica para que o aumento do uso de crack seja considerado epidêmico. Segundo os membros presentes na reunião, há dados que apontam para a existência de um surto.
As discussões sobre a Política Nacional de Combate ao Álcool e outras Drogas abriram a 226 Reunião Ordinária do CNS, ensejada por declaração feita pela presidente Dilma Roussef, no 7 de setembro, a respeito da aprovação da política em breve.
Técnicos do setor da saúde mental declararam sentir-se excluídos do debate e disseram que o plano não pode ser publicado sem que haja ampla participação de diversos setores da sociedade.
Ao final do debate de abertura da reunião do CNS, será aprovada resolução sobre cinco principais pontos: a Política Nacional de Combate ao Álcool e outras Drogas, a Política de Saúde Mental, a questão do recolhimento compulsório, o debate sobre experiências com comunidades terapêuticas e a necessidade de debate entre comissões e conselhos específicos.
Maria Ermínia Ciliberti, do Conselho Federal de Psicologia (CFP), condenou o recolhimento compulsório de usuários de crack - como acontece no Rio de Janeiro, por iniciativa da Secretaria Municipal de Assistência Social do Rio de Janeiro. A declaração de Ciliberti foi consensual entre os membros do CNS, que ainda mencionaram a recusa da ideia de ''higienização'' das ruas.
O Ministério da Saúde afirmou ser contrário ao recolhimento compulsório, por meio de diferenciação entre o ''recolhimento'' e as ''internações'' - para as quais não há reservas do órgão. ''Existe uma confusão entre esses nomes. O recolhimento compulsório não está na esfera da saúde. O Estado atua, mediante decisão prévia, sobre a restrição de certos grupos. As internações compulsórias (que são subordinadas a laudos médicos) são feitas de acordo com a lei, que prevê tal atuação. O ministério não tem a ver com o recolhimento e é contra a prática'', declarou Roberto Tykanori.

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