Consumo de crack diminui entre os jovens, revela trabalho do Denarc
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segunda-feira, 27 de setembro de 1999
Por Marcelo Godoy 
São Paulo, 28 (AE) - O perfil do dependente de drogas montado pelo Departamento Estadual de Investigações sobre Narcóticos (Denarc) aponta para uma diminuição da proporção de jovens de até 18 anos que utilizam o crack em relação ao universo dos casos de consumo de drogas. Entre as pessoas dessa faixa etária que procuraram ajuda na Divisão de Educação e Prevenção (Dipe) do Denarc, a participação dos relatos de uso de crack sozinho ou combinado com outras drogas no total de casos registrados pelo órgão diminuiu de 26,54%, no primeiro semestre de 1998, para 18,78% no mesmo período deste ano.
No primeiro semestre do ano passado, 45,02% das pessoas atendidas pela Dipe relataram dependência de maconha. Em segundo lugar, estavam as que se apresentaram como consumidoras de cocaína - 28,43% do total. Por último, estavam os viciados em crack, com 26,54%. "Muitos pacientes são polidrogados, ou seja, fazem uso de mais de uma droga ao mesmo tempo", disse o psiquiatra Pérsio Ribeiro Gomes Deus, que assessora A Dipe. Em 1999, a maconha consolidou sua liderança, sendo citada pelos viciados como a droga usada em 56,36% dos casos. Em seguida veio a cocaína, com 24,8% do universo e, por último, o crack - 18 78%.
A mudança maior ocorreu na faixa etária entre 16 e 18 anos. No primeiro semestre do ano passado, as pessoas que utilizavam crack como a única droga lideravam o ranking da Dipe com 19 casos. Este ano, essa posição passou a ser ocupado pelos que só usam maconha - 28 registros na divisão. Em números absolutos, o uso do crack também caiu - de 56 casos em 1998 para 31 em 1999. Família - A maioria das pessoas atendidas pela Dipe é levada pela família ao Programa de Encaminhamento de Dependentes (Pede) da Dipe. "Na maior parte dos casos, é um parente desesperado, porque o filho ou sobrinho está quebrando tudo em casa, que nos liga e marca a consulta", disse o psiquiatra. Gomes de Deus e o psiquiatra Edison Parise são autores de um estudo sobre os efeitos do crack no fígado do dependente de drogas. Eles acompanharam cem consumidores de entorpecentes com idade média de 22,5 anos e constataram que, num prazo de três anos, o crack provoca em 75% dos pacientes alterações graves no fígado compatíveis com os quadros de pré-cirrose e cirrose hepática.
Segundo Gomes de Deus, os dependentes de drogas são atendidos na Dipe por assistentes sociais e psicólogos e pelo psiquiatra. As pessoas que procuram o órgão são encaminhadas para clínicas beneficentes. Entre as novidades do perfil divulgado pelo Denarc estão o consumo do mesclado e da heroína. No semestre passado, seis casos de consumo de mesclado foram relatados no Denarc. O mesclado é um cigarro feito com a mistura do crack e da maconha. Na mesma faixa etária, foi comunicado, pela primeira vez, um caso de uso de heroína ao Denarc.
Entre a faixa etária de 19 a 30 anos, o crack utilizado isoladamente continua liderando o ranking. Na faixa etária acima de 31 anos, o uso sozinho dessa droga deixou o primeiro lugar, ultrapassado pelo álcool.


