Rio, 18 (AE) - O aumento no consumo de gasolina, óleo diesel, gás e outros derivados do petróleo marcou o mês de janeiro, apesar da recessão confirmada por institutos de pesquisa e analistas econômicos. A venda de gasolina teve aumento de 2,7% em relação a janeiro de 98; o óleo diesel, de 4 28%; e o gás natural, de 5,06%. Mas, foi o querosene de aviação que registrou a maior alta: 8,11%. O óleo combustível, utilizado pelas indústrias, foi o único derivado de petróleo a sofrer queda de consumo - e bastante significativa - de 13,05%, segundo levantamento da Petrobrás.
Para o coordenador adjunto da Unidade de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castello Branco, a queda no consumo do óleo combustível é um sintoma claro da redução da atividade industrial. "É um insumo típico do setor e a queda no consumo significa que as indústrias estão movimentando menos suas caldeiras", diz o economista, lembrando que o ano de 1998 representou o pior desempenho da indústria nacional nos últimos sete anos, com queda de 1,34% em relação a 1997.
Castello Branco diz, ainda, que o aumento nas vendas de outros derivados deve-se ao fato de o cenário recessivo tradicionalmente se refletir primeiro no setor industrial. "É um impacto quase imediato, que é sentido de forma mais aguda na indústria e só depois se esparrama pelos demais segmentos da economia", comentou.
O superintendente comercial da área de Abastecimento da Petrobrás, Alberto Guimarães, não concorda com a tese de o impacto da recessão estar influenciando a queda no consumo do óleo combustível. "Não estamos trabalhando em nenhum momento com redução no consumo para este ano", afirma. Segundo ele, parte da queda nas vendas de óleo deve-se à mudança na geração energética da indústria para gás natural (que teve aumento de 5% em janeiro de 99 frente ao mesmo período de 98).
Outra parcela pode ser creditada à substituição, especialmente pela indústria de cimento, do óleo pelo coq (subproduto do petróleo que ficou extremamente barato diante da queda nos preços internacionais). "Se forem analisados todos os fatores, não se conclui que houve decréscimo no consumo de combustível pela indústria", diz Guimarães. Ele garante que a Petrobrás ainda não vê necessidade de rever as metas para este ano. "O consumo em 99 vai aumentar em torno de 2%", garante.
Ele acredita também num aumento na capacidade nacional de refino em torno de 6% e no crescimento da produção acima do aumento da demanda. "Com certeza, teremos decréscimo na importação, embora não seja ainda possível especificar em quanto."

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