Consumo de alumínio cai 5,1% em 99 mas pode crescer 7% no próximo ano
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quarta-feira, 08 de dezembro de 1999
Por Márcia Furlan 
São Paulo, 08 (AE) - O consumo brasileiro de alumínio pode ter um crescimento de 7% no próximo ano, atingindo aproximadamente 700 mil toneladas, segundo projeções da Associação Brasileira do Alumínio (ABAL). Este volume é o mesmo registrado em 1998 e o crescimento equivale à média anual verificada até o ano passado. Em 1999, o consumo caiu 5,1% (668 mil toneladas). "Este foi um ano perdido", resumiu João Bosco Silva, presidente da ABAL, que apresentou hoje em São Paulo dados sobre o desempenho do setor. As importações tiveram queda de 12% em volume e de 14% em valor e as exportações cresceram 18 2% em volume e 12,5% em valor, na comparação com o ano passado.
A previsão da ABAL é de que a recuperação aconteça em todo os segmentos da cadeia. As importações deverão encolher 28 7% como consequência da substituição dos produtos vindos do mercado externo. As exportações, entretanto, também devem cair 4 5%. Isto porque, segundo Bosco, a produção não será ampliada a ponto de atender o aumento da demanda no mercado interno e as vendas externas. Ele explicou que as indústrias produtoras de alumínio e as transformadoras não fazem investimentos para ampliar a capacidade de produção desde 1986, em razão principalmente da carga tributária. "Se estas previsões se confirmarem, vamos contribuir com US$ 300 milhões na balança de pagamentos brasileira", disse Bosco.
A expectiva de melhora do desempenho se baseia principalmente na expansão das indústrias de embalagens, que vêm crescendo a uma taxa de 15% ao ano e são os maiores consumidores de alumínio do Brasil, absorvendo 27% da produção. A privatização das estatais é outro fator positivo em função do esperado aumento da demanda de fios e cabos elétricos. A ABAL aposta ainda no setor de transportes, sobretudo para produção de carrocerias de ônibus e caminhões. Há também a construção civil, que representa 17% da produção.
O consumo de alumínio no Brasil vem registrando nos últimos anos aumento médio de 8%, ao mesmo tempo que os preços do produto caem em todo o mundo. Nos últimos 20 anos, a cotação na Bolsa de Nova York caiu 50%. A média da tonelada no ano passado era de US$ 1.358 e em novembro último foi de US$ 1.344. No Brasil, o preço, em real, cresceu cerca de 55%, refletindo, segundo a ABAL, a desvalorização cambial do início do ano. Em dólar, quase não houve variação. Em 1998, o preço médio da tonelada era R$ 1.704 e deve fechar este ano em R$ 2.647.
Reciclagem - A reutilização do alumínio pelas empresas transformadoras tem dado fôlego extra ao setor, que reclama das penalizações impostas pela pesada carga tributária. Neste ano, 65% do que foi produzido retornou em forma de sucata para reaproveitamento. O vice-presidente da ABAL, Flávio Zurlini, destacou que este é um dos mais altos índices do mundo, mesmo não havendo uma coleta seletiva do lixo no País. Zurlini informou que a reciclagem está empregando entre 100 mil e 150 mil catadores de latas, cujos salários chegam a até três mínimos por mês. Uma tonelada de lata usada vale R$ 2 mil.


