Consumo de álcool gera brigas familiares
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terça-feira, 29 de novembro de 2005
Cecília Jorge<br>Agência Brasil 
Brasília - O consumo excessivo de álcool é apontado como uma das principais causas dos conflitos familiares, segundo uma pesquisa que está sendo realizada pela Secretaria Nacional Antidrogas (Senad). Os dados preliminares, divulgados ontem na abertura da 1 Conferência Pan-Americana sobre Políticas de Álcool, revelam que 45% dos entrevistados na região metropolitana de São Paulo relacionam os problemas conjugais ou familiares ao hábito de beber de um dos integrantes da família.
O levantamento mostra também que 31% dos paulistas já foram insultados por alguém embriagado e 11%, agredidos fisicamente. A pesquisa da Senad tem abrangência nacional e está levantando informações sobre o padrão de consumo de álcool dos brasileiros, inclusive de populações como os indígenas, as mulheres e os jovens. O resultado final da pesquisa será divulgado em dezembro. Ao todo foram ouvidas 3 mil pessoas, em 143 cidades.
Segundo o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, Jorge Armando Felix, a droga lícita mais consumida no país apresenta o maior índice de dependência, atingindo 11,2% dos brasileiros. A oferta de tratamento para os dependentes de álcool é a política pública mais citada pelos entrevistados (87%). Em seguida, vêm os programas de prevenção nas escolas (78%), aumento dos impostos sobre as bebidas alcoólicas (54%) e a proibição da venda para menores (49%).
Outra constatação do estudo é o início cada vez mais cedo do consumo de álcool, em geral aos 14 anos. Entre os adultos pesquisados com mais de 40 anos, a primeira dose foi tomada após os 20 anos. A diretora de Prevenção e Tratamento da Senad, Paulina Duarte, disse que outro levantamento feito com 1,2 mil estudantes de uma universidade privada da região Sul identificou que 77% deles abusam da bebida, tomando cinco ou mais doses.
Segundo o levantamento, esses jovens também apresentam outros comportamentos de risco, como dirigir sem cinto de segurança e não utilizar proteção nas relações sexuais. ''O que essa pesquisa nos aponta como resultado é que os jovens que bebem de forma mais intensa eles também se envolvem em mais comportamento de risco em outras esferas da sua vida'', ressaltou a diretora.


