Consumo aumenta entre população de rua
Embora os dados registrados no balanço das apreensões, quando analisados isoladamente, não sejam suficientes para indicar aumento no tráfico, como afirma a Polícia Rodoviária Federal, quem trabalha em programas de apoio na área da saúde ou da assistência social percebe uma elevação no número de dependentes químicos.
A Secretaria Municipal de Saúde não dispõe de um levantamento estatístico que permita contabilizar o número de usuários de drogas no município, mas ao menos entre os moradores de rua, o aumento do consumo de substâncias entorpecentes é visível, afirmou a coordenadora do CnaR (Consultório na Rua) e das Práticas Integrativas Complementares, Jucelei Pascoal Boaretto. O projeto foi criado em 2012 com o objetivo de levar até a população de rua os serviços ofertados nas unidades básicas de saúde.
Segundo dados cadastrados pela equipe do CnaR, até o final de abril, das 467 pessoas assistidas, 101 faziam uso de algum tipo de substância, seja álcool ou drogas. "Não temos um levantamento, mas a quantidade de usuários de drogas aumentou sensivelmente. A gente percebe que a droga tem ficado mais acessível, num âmbito geral, e as pessoas que estão nas ruas são mais suscetíveis", disse Boaretto. "Por dia, atendemos no CnaR cerca de oito pessoas e a maioria delas é usuária de algum tipo de substância psicoativa."
O Mapa do Crack, atualizado pelo Observatório do Crack, aponta que em Londrina o nível de problema com a droga é considerado médio, mas o município está bem próximo a um "corredor" formado por cidades com alto nível de problema decorrente do consumo de crack, do qual fazem parte Congonhinhas e Sapopema, na Região Norte, Figueira e Curiúva, no Norte Pioneiro, Telêmaco Borba, Ventania, Piraí do Sul, Tibagi e Castro, nos Campos Gerais.
RECURSOS
O observatório, por meio de sua assessoria de imprensa, frisa que ainda há muito a ser desenvolvido para que as ações de prevenção, tratamento e reinserção social dos dependentes químicos, especialmente usuários de crack, sejam efetivas. O financiamento realizado pelo governo federal, afirmou a entidade, está "aquém das necessidades municipais".
Em 2011, o governo federal lançou o programa Crack, é possível vencer, para atuar na prevenção, combate, reabilitação e reintegração social com a participação de vários grupos sociais. Para o programa, coordenado pelo Ministério da Justiça e que conta com a parceria de outras pastas, foram liberados R$ 44 milhões. As ações desenvolvidas pelo CnaR fazem parte do programa federal.
No último dia 25 de abril, o Ministério da Justiça lançou um novo projeto com o objetivo de acolher em comunidades terapêuticas cerca de 20 mil pessoas com transtornos decorrentes do uso, abuso ou dependência de drogas em todo o País. Além da Justiça, outras quatro pastas estão envolvidas na iniciativa para a qual foram assegurados mais de R$ 87 milhões em repasses às entidades credenciadas. O edital para seleção de instituições interessadas em habilitarem-se ao projeto já foi lançado. (S.S.)





