Consumidores industriais querem revogação da alta do óleo
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quarta-feira, 04 de agosto de 1999
Por Rita Tavares 
São Paulo, 05 - A Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia (Abrace) espera que o governo revogue o aumento dos combustíveis, anunciado ontem (04) pelo governo. Segundo o diretor-executivo da entidade, Paulo Ludmer, a alta terá um efeito "fulminante" para os 45 complexos industriais que formam a Abrace e consomem 40% da energia térmica no País.
"A gente não é caminhoneiro. Não jogamos em benefício próprio. Não queremos incentivos especiais. Queremos apenas oxigênio para existir", alegou Ludmer, sobre a correção das reivindicações da entidade ao governo.
O governo autorizou um aumento de 20% no preço do óleo combustível, nas refinarias. De acordo com Ludmer, o óleo representa 40% na produção do cimento; 30% para as mineradoras e 15% para a indústria petroquímica e siderúrgica. "Isso liquida a competitividade da indústria nacional e o mico final fica para o consumidor", afirmou.
Segundo Ludmer, a importação de óleo combustível, através do mecanismo de "draw-back", seria um atenuante para este problema. "O governo havia acenado com a permissão, mas não liberou", disse. As exportações brasileiras de minério de ferro poderiam pular de US$ 600 milhões para US$ 900 milhões em 99, com o "draw-back".
Além disso, a Abrace quer que o governo autorize os empresários a comprarem o óleo combustível diretamente das refinarias, sem a intermediação dos atacadistas. Para isso, de acordo com Ludmer, os ministérios da Fazenda e das Minas e Energia deveriam se pronunciar, já que não haveria nenhuma restrição legal. "Os atacadistas praticam margens abusivas", disse o executivo. A Abrace quer também a redução dos tributos que incidem sobre energia.


