São Paulo, 16 (AE) - O Brasil tem uma frota estimada em 4,5 milhões de carros movidos a álcool, dos quais 83% têm mais de dez anos, segundo dados da Federação Nacional do Comércio de Combustível (Fecombustível). De janeiro a abril deste ano, foram vendidos 1.278 veículos a álcool, mesmo volume de todo o ano passado. O aumento da procura está relacionado às medidas de incentivo ao Proálcool anunciadas pelo governo e à atual diferença do preço da gasolina em relação ao álcool.
A indústria alega que não fabrica mais carros com esse tipo de motor porque não há mercado. Mas o consumidor que decide comprar um modelo a álcool chega a esperar três meses pela entrega. Somente na região de Ribeirão Preto (SP) há um público potencial de 20 mil pessoas interessadas, segundo pesquisa da Aproverde.
"Parece que a indústria não quer produzir carro a álcool", diz o presidente da Aproverde, Maurilio Biagi Filho. Só a Volkswagen e a Fiat mantêm linhas de produção para esses modelos e há várias reclamações em relação à demora na entrega. Um grupo de 526 consumidores ameaça ir à Justiça por não ter recebido modelos encomendados da Volks, alguns há 90 dias.
Segundo a Aproverde, uma campanha conjunta com a Volkswagen e revendedores da região resultou na venda de 1,4 mil veículos a álcool entre setembro e março. Os compradores que não receberam os modelos reclamam de que terão de pagar a diferença do reajuste de até 10% anunciado pela montadora no início de maio.

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