São Paulo, 27 (AE) - Os consumidores voltaram a procurar as concessionárias de veículos novos hoje, um dia depois do anúncio da renovação do acordo do setor automobilístico por mais três meses. Em muitas revendas paulistas os negócios não chegaram a se concretizar, mas o aumento do chamado "fluxo de loja" já é um sinal de que as vendas devem aumentar a partir de amanhã (28), segundo os revendedores.
A maioria das compras efetivadas hoje foi de consumidores que já tinham feito pedidos, mas aguardavam a conclusão do acordo, acreditando que os preços poderiam cair. "Alguns ficaram frustrados", disse o diretor da Eufrasio Veículos, Eufrasio Pereira Luiz Júnior.
Segundo ele, consumidores de modelos de médio porte decidiram concretizar a compra para escapar do aumento médio de 4,5% que pode ser anunciado ainda amanhã, quando as montadoras divulgarem novas tabelas.
As indústrias suspenderam o faturamento hoje, à espera da publicação da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) no Diário Oficial, que sairá na edição de hoje. Para os carros populares (com motor 1.0), o imposto passa de 5% para 7% e para os de médio porte, de 17% para 20%. Antes do primeiro acordo, fechado em março, as alíquotas eram de 10% e 25%, respectivamente.
Com o novo acordo concluído na quarta-feira, os carros populares, a princípio, terão os preços mantidos. Para compensar o aumento do IPI e do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de 9% para 9,5%, as montadoras vão conceder um bônus (desconto fixo) de R$ 375,00 para esses modelos. Já os carros médios (com até 127 cv de potência) não terão bônus e a elevação dos impostos resultará em reajustes médios de 4,5%.
"Depois de duas semanas com vendas praticamente paradas
voltamos a registrar fluxo de loja, que é um termômetro de que os negócios devem melhorar", afirmou o gerente de Vendas da Trans-Am, Munir Faraj.
Alguns concessionários acham que os preços dos carros populares podem até cair. "O acordo foi bem recebido e o carro popular vai ficar de 1% a 1,5% mais barato por causa do bônus da montadora", disse Ulisses Pires, da revenda Convel.
Mesmo com a previsão de melhora nas vendas a partir desta semana, o presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), Hugo Maia, acredita que não haverá tempo para "salvar o mês". Segundo ele, as vendas no varejo devem ficar entre 50 mil e 60 mil unidades, metade do volume de abril.
O governador paulista, Mário Covas (PSDB), já enviou para a Assembléia Legislativa o projeto de lei para cobrança de 9,5% de ICMS para os automóveis. A alíquota oficial é de 12%.

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