Consumidor tenta trocar marcas antes de reduzir compras Denize Bacoccina
São Paulo, 6 (AE) - Principal termômetro do comportamento dos preços, os consumidores estão se virando como podem para reduzir o impacto do aumento no orçamento doméstico. Trocar a marca habitual por uma mais barata ou pesquisar os mesmos produtos em outras lojas são as alternativas tentadas antes da decisão mais radical: diminuir a quantidade de produtos no carrinho.
A analista de custos Aparecida Alves de Santana usa suas habilidades profissionais também na hora de abastecer a despensa. Para não ter de abrir mão dos produtos que gosta, ela começou a pesquisar lojas diferentes para tentar fugir dos aumentos de preço.
"Antes, comprava no mais próximo, porque a diferença de preços entre eles era muito pequena", afirma. "Agora, vou atrás do supermercado mais barato e das ofertas", diz. Mesmo assim, ela não escapou de aumentar o gasto mensal no supermercado de R$ 250,00 para R$ 330,00 ou até mais.
Aparecida faz parte do pequeno número de consumidores que trocam de loja para manter a preferência pela marca, mas a maioria está trocando também as marcas mais caras por outras que subiram menos seus preços.
Mesmo trocando a marca habitual por outra mais barata, o casal Janete Rodrigues da Silva e Laucelino Angelo da Silva não conseguiu fugir do aumento no preço do leite longa vida. Janete trocou um leite que costumava comprar por R$ 0,70 alguns meses atrás por uma marca que agora é vendida a R$ 0,90. "Se fosse comprar a mesma pagaria R$ 1,15", compara.
Além do leite, ela trocou as marcas da massa de tomate, macarrão e trigo. "Levo o mais barato", afirma. Janete também tenta driblar os aumentos pesquisando os preços em outras lojas. "No mês passado já dei uma olhada e aproveitei algumas ofertas", conta.
"A inflação só está baixinha no bolso deles", diz a tecnóloga Maria Amarante em relação aos índices de custo de vida. Ela notou um aumento grande, principalmente nos preços dos produtos de limpeza. "Dependendo da oferta, mudo de marca ou de supermercado", diz. Em outros, como leite e iogurte, mantém-se fiel às marcas que sempre usou, apesar de estar pagando cerca de 10% mais.
O casal Isabel Regina Vieira e José Vieira, proprietários de um bingo, até que tenta, mas não consegue diminuir o impacto dos aumentos de preços. "Mesmo pagando mais caro tem coisas importadas que não dá para substituir", diz Isabel. Quando dá, ela troca. "Troquei o Nescau por um achocolatado mais barato", diz ela, mostrando uma lata de marca própria do supermercado.
Como consome pouco os produtos básicos, que ficaram mais baratos, ela só sentiu no bolso o impacto das altas. "Antes, gastava R$ 400 e pouco, agora chega até a R$ 600,00", conta.
Ao mesmo tempo, o faturamento do bingo despencou este ano. "As pessoas gastam muito pouco", diz. Mesmo a mudança da loja acaba sendo pouco viável. "Tem supermercados mais baratos, mas são mais distantes e não dá tempo de ir", contam.





