Consumidor quer venda de genéricos
Luciana Pombo
De Curitiba
O Instituto de Defesa do Consumidor de Brasília (Idec) está estudando maneiras de entrar com uma ação judicial contra a Associação Brasileira de Indústrias Farmacêuticas (Abifarma) por causa da campanha vinculada na mídia com informes publicitários e testemunhais feitos por apresentadores de programas televisivos alertando a população sobre os riscos da substituição de remédios de marca por similares nos balcões farmacêuticos. É uma campanha de desinformação ao consumidor, disse ontem a coordenadora do Idec, Lynn Silver.
Segundo ela, a entidade é radicalmente a favor da implantação dos medicamentos genéricos em todo o País. Esta medida é fundamental para o consumidor que, além de gastar menos, poderá ter informação sobre o que está tomando, qual a substância contida no remédio, alertou. Para Lynn, o Brasil está atravessando um período de transição de regras e sem um esclarecimento público o consumidor será prejudicado. Existem no mercado os medicamentos similares, que podem ser usados, argumentou.
Lynn Silver orienta os consumidores a pedir informações ao médico antes de comprar um medicamento. O farmacêutico está impedido de fazer a troca por similar. O que pode ser feito é conversar com o médico e pedir para que ele receite um medicamento similar, que seja eficaz e barato, disse. Ela se posicionou contra a afirmação da Abifarma de que o medicamento bom é aquele que tenha marca. Não podemos esquecer que um medicamento de marca, produzido por multinacional, tinha farinha dentro de pílulas de anticoncepcional, lembrou.
Nas ruas de Curitiba, os consumidores entrevistados pela Folha de Londrina/Folha do Paraná se mostraram a favor da lei. Segundo o microempresário Valdecir Barbaroto, de 37 anos, o consumidor precisa conhecer o que está tomando. Vai ser mais seguro e mais barato para todos, afirmou ele. O jardineiro Luís Carlos de Jesus, de 48 anos, disse que quer ter o direito de decidir o que tomar quando for numa farmácia com a receita médica. Acho que o nome da substância não irá trazer confusão ao consumidor. A gente é que tem que ter o direito de escolher, de decidir o que tomar e o que pagar.
A dona de casa Olívia Costa Pinto, de 43 anos, acha que os consumidores, atualmente, estão pagando a marca do medicamento. Com o nome genérico, poderemos procurar um preço mais baixo, o que facilitaria para todo mundo.





