Consumidor de carro popular paga a conta do novo IPI
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quinta-feira, 30 de setembro de 1999
Por Marli Olmos 
São Paulo, 01 (AE) - O primeiro dia de vigência da nova grade de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros mostrou que o consumidor do carro popular será mais penalizado. Já os veículos de luxo ficaram mais acessíveis para a classe que pode comprá-los. A General Motors reajustou o preço do Corsa Wind, o seu popular, em 13,4%, e baixou o valor da sua luxuosa Blazer V6 DLX em 1,75%.
A GM é, até agora a única a anunciar aumentos, válidos a partir de hoje. Os veículos médios da marca tiveram reajuste médio de 11,9%. Dona da maior gama de modelos do País, esta montadora está em posição mais confortável e teve mais facilidade para aplicar ajustes diferenciados porque tem carros para todos os gostos e bolsos.
A Ford havia prometido anunciar os novos preços hoje. Mas terminou o dia sem alterar as tabelas. Volkswagen e Fiat parecem estar esperando o posicionamento dos carros da concorrência para definir os seus índices. Principalmente Fiat e Ford vinham investindo mais no mercado de populares, que hoje representa 65% das vendas de automóveis do País.
Mas as mudanças no IPI dos carros, publicadas no Diário Oficial de hoje, proporcionaram não apenas a simplificação tributária do setor, mas também diminuíram a diferença de preços entre os populares e os demais veículos. Por isso, a participação deve se alterar. Os carros médios representam hoje 25% das vendas. Os chamados top de linha ocupavam uma pequena fatia, de mais ou menos 3%.
Os aumentos de preços embutem uma série de variáveis. Trazem a novidade da redução de alíquotas de IPI, mas também o aumento do mesmo imposto - para carros populares e médios - por conta do fim do acordo emergencial. Incluem ainda o repasse de custos, que vão da elevação das tarifas de energia até a de matérias-primas, como o aço. E ainda: os percentuais refletirão a estratégia das marcas em relação ao segmento de mercado de cada veículo.
IPI - A nova classificação de IPI mantém inalterada a alíquota do carro popular, vigente antes do acordo emergencial, que era 10%. Mas como no acordo emergencial o IPI deste carro baixou para 7%, haverá aumento de preços. A General Motors informou que, no caso do Corsa, o novo valor embute ainda a retirada do bônus de R$ 375, que as montadoraa concederam também como parte do acordo emergencial.
Também passa a ser de 10% a alíquota dos veículos utilitários e comerciais leves que se resumem a dois tipos de modelos: com caçamba para transportar até 3.500 quilos de carga (incluindo o peso do veículo) ou vans para transporte de passageiros (nove ocupantes, incluindo o motorista).
As picapes com tração nas quatro rodas já recolhiam imposto de 10%. Mas as 4 x 2 - que tinham IPI de 25% - serão beneficiadas. A partir de janeiro a taxação extra para as picapes movidas a diesel - de 15 pontos percentuais - deixará de existir. Isso deve estimular a produção deste tipo de veículo.
Todos os demais modelos - carros médios e de luxo - passam a recolher imposto de 25%. Nesta categoria haverá um grande impacto do aumento de preços porque foi também beneficiada no acordo emergencial. Pelo acordo, as alíquotas desta categoria haviam baixado de 30% e 25% para 20%. Agora ficam todos com 25%. Mas os carros de luxo, que não foram incluídos no acordo emergencial, são os mais beneficiados, com redução de IPI de 35% para 25%. Modelo Variação Novo preço
(em R$) Corsa Wind + 13,4% 15.257 Corsa sedan + 11,9% 24.223 Astra GL hatch 3p + 11,9% 25.558 Vectra GL 2.2 + 11,9% 32.885 Vectra CD 16v + 2,8% 45.608 Blazer V6 DLX (diesel) - 1,75% 60.214 S-10 stnd + 0,92% 23.996


