Consultoria está em crise financeira desde 98
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terça-feira, 20 de abril de 1999
Por Irany Tereza 
Rio, 21 (AE) - A Macrométrica, consultoria fundada por Francisco Lopes em 1984, está em crise financeira desde o ano passado. O gerente comercial da empresa, Luiz Fernando de Souza, sócio minoritário com participação de 5%, deixou a firma em novembro do ano passado por não receber mais salário. A maioria dos cerca de 200 clientes que a consultoria listava deixou de comprar os serviços da empresa a partir da saída de Lopes, em janeiro de 1995. Souza, ex-aluno de Lopes conhecido como Tuca, está à procura de emprego no mercado.
Uma das consultorias financeiras mais procuradas até o início da década de 90, a Macrométrica entrou em declínio depois que seu principal analista passou a fazer parte da equipe econômica do governo. "A Macrométrica era o Chico Lopes e, com a saída dele, a empresa perdeu o atrativo", comenta o economista Dionísio Dias Carneiro, amigo de Lopes há cerca de 30 anos. Carneiro figurou a primeira formação societária da empresa
mas deixou a consultoria alguns meses depois da fundação. "Na verdade, só participei da idéia, nem cheguei a ter nenhum trabalho feito lá".
A divulgação de uma carta escrita por Sérgio Luís de Bragança, de 1996, dizendo que Lopes, na época diretor de Política Monetária do Banco Central, teria US$ 1,650 milhão numa conta bancária no exterior surpreendeu até mesmo seus amigos mais próximos. "Continuo achando que alguém usou o Chico", diz o economista Luís Roberto Cunha, amigo de Lopes dos tempos das aulas na Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio).
"Infelizmente, isso é uma coisa que o Chico vai ter de explicar direitinho", diz o também economista da PUC José Márcio Camargo. Embora de uma geração de professores posterior à de Lopes, Camargo acompanhou o trabalho de Lopes na PUC de 1978 a 84, quando ele saiu para fundar a Macrométrica. Ele também não acredita na possibilidade de o ex-presidente do BC ter participado de um suposto esquema de venda de informações privilegiadas e acha que, na pior das hipóteses, o dinheiro no exterior pode revelar irregularidades de sonegação fiscal da Macrométrica. "Mas também pode ser uma simples confissão de dívida entre os sócios, que seria rasgada quando ele voltasse à empresa", arrisca. "Isso é muito comum no meio de negócios".
Sérgio Bragança, que ainda é sócio de uma das cinco consultorias do grupo Macrométrica, não quer falar sobre o caso. Por telefone, manda informar que não dá entrevistas. O economista-senior da Macrométrica, Estêvão Kopschitz Xavier Bastos, que detém hoje 50% das ações da consultoria, também procurado hoje, não quis falar.


