Consultor do BID defende adoção de programa para redução de acidentes
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quinta-feira, 02 de dezembro de 1999
Por Clarissa Thomé 
Rio, 02 (AE) - O consultor do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para área de Segurança no Trânsito, Philip Anthony Gold, defendeu hoje a adoção de um programa "bem montado e dirigido" para a redução de acidentes no País. Segundo estimativa do BID, a União perde anualmente US$ 9,5 bilhões com despesas por batidas e atropelamentos.
Para Gold, a educação de trânsito deveria ser matéria obrigatória em escolas e a fiscalização não deveria ser dirigida apenas aos motoristas, mas às "verdadeiras" causas dos acidentes: engenharia de trânsito falha, sinalização insuficiente, veículos em má condição de conservação. Ele defende ainda campanhas para pedestres. "Nas estatísticas, mais de 40% das vítimas de acidentes são pedestres, que se ferem e morrem mais do que os condutores", explicou Gold. "Se é assim, o enforque prioritário deveria ser o pedestre".
O especialista criticou durante o seminário Segurança no Trânsito, os projetos de rodovias que o Departamento Nacional de Estradas e Rodagem (DNER) e os órgãos estaduais apresentam ao BID, em busca de financiamento. "Em poucos deles constam as palavras acidente ou segurança", afirmou Gold. "São projetos pagos com o imposto do cidadão, ou seja, o sujeito paga para ter o privilégio de ser atropelado".
Gold defendeu a construção de passarelas em rodovias. "Eu não sei de onde os engenheiros de trânsito tiraram a idéia de que o brasileiro não utiliza as passarelas, se nenhum estudo foi feito", disse o consultor, que está escrevendo livro sobre o assunto. "Quem se deu ao trabalho de contar, descobriu que cerca de 70% dos pedestres atravessam as rodovias nas passarelas".


