Brasília, 29 (AE) - O consultor da diretoria do Banco Central, Alexandre Pundek Rocha, em depoimento à comissão de sindicância do BC, negou todas as acusações de tráfico de influência no Banco Central e de vazamento de informações sobre decisões na área de câmbio e de juros. Segundo o termo de declaração da audiência, que está sendo distribuído hoje aos membros da CPI do Sistema Financeiro, Pundek Rocha é consultor da diretoria desde 30 de dezembro de 1996 e estava assessorando o então diretor de Política Monetária, Francisco Lopes, em janeiro.
O consultor disse que foi informado por Lopes sobre a mudança da política cambial e sobre a indicação do diretor para o cargo de presidente do BC, somente na manhã do dia 13 de janeiro. Na tarde desse mesmo dia, segundo o consultor, recebeu o presidente do banco Marka, Salvatore Cacciola, que pretendia falar com Lopes sobre o problema do seu banco, que ficaria com patrimônio líquido negativo, se mantivesse as posições na BM&F. Pundek Rocha garante que não conhecia Cacciola e jamais tinha ouvido falar do banco Marka.
No termo de declaração de audiência elaborado pela comissão de sindicância do Banco Central, o consultor Alexandre Pundek Rocha informou que o dono do Banco Marca, Salvatore Cacciola, ficou aguardando em uma sala, enquanto ele (Rocha) foi fazer um relato da situação ao diretor de Fiscalização do BC, Cláudio Mauch. Este, por sua vez, determinou que o caso fosse tratado pela chefe em exercício do departamento de Fiscalização, Tereza. O consultor informa que reportou à Tereza o relato de Cacciola e a chefe do Departamento foi conversar com Mauch, deixando Cacciola esperando. Alexandre Pundek Rocha disse ter presenciado o diálogo entre Mauch e Tereza, no qual o diretor determinou que as informações de Cacciola fossem checadas pelo departamento de Fiscalização. A checagem teria sido feita por Vânio Aguiar, que determinou ao departamento, no Rio de Janeiro, a verificação, in loco, das informações de Cacciola. O consultor disse que não entendia da parte técnica de operações na BM&F, nem dos procedimentos operacionais do BC.

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