São Paulo, 24 (AE) - O Mercosul não vai desaparecer, tampouco para o setor automotivo, a despeito dos atuais problemas de diferenças de custos de produção, provocados pelo câmbio. Para o consultor do grupo automotivo da AtKearney, Edgard Viana, o fato de praticamente todas as montadoras terem fábricas no Brasil e na Argentina representa, ao contrário do que pode parecer, uma vantagem que serve para driblar as situações de crises num dos dois lados.
Segundo Viana, o Mercosul ajudou a indústria automobilística a ganhar escala. "Não podemos esquecer que esse bloco já somou mercado de 3 milhões de veículos em 1997", destacou. Isso, lembrou, permitiu que o setor pudesse produzir aqui veículos globalizados e atualizados.
Por meio de maior produtividade, o setor criou a localização das linhas. As linhas que montam carros com menor conteúdo local e em menores volumes - modelos médios como Escort
da Ford, Polo Classic, da Volkswagen, e os utilitários Cherokee
da Chrysler, Silverado, da General Motors, e Hilux, da Toyota - ficaram na Argentina. Isso facilita inclusive o transporte, já que a maioria segue para o mercado brasileiro.
A Fiat transferiu a linha do Siena para o Brasil depois da desvalorização cambial. Mas, para o consultor Markus Stritker
que também integra o grupo automotivo da AtKearney, não se pode mudar uma linha inteira por um problema momentâneo. O custo é alto. Para a Fiat foi fácil porque o Siena utiliza plataforma igual à do Palio.
Os consultores concordam que um reajuste no câmbio na Argentina é inevitável. No entanto, eles prevêem que as montadoras devem aguardar mais um pouco os acontecimentos políticos antes de tomar decisões mais drásticas, que poderiam culminar na transferência das linhas das fábricas na Argentina para o Brasil.
Na própria indústria automobilística, os dirigentes evitam tratar do assunto porque sabem que em meio às negociações bilaterais entre os dois países serão feitas algumas concessões. Segundo fontes da indústria, o setor vai esperar pelo menos até outubro, quando vão ocorrer eleições na Argentina. Porque no fundo ainda interessa muito para o Brasil ter a Argentina como seu principal parceiro no Mercosul.

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