O Consulado do Brasil em Ciudad del Este é motivo de reclamações dos brasileiros presos na cidade. Eles criticam suposto abandono dos diplomatas e dos advogados contratados pelo governo brasileiro. O órgão tem dois advogados para atender aos internos e uma verba anual de US$ 500 a US$ 3 mil destinada à assessoria jurídica.
O agricultor Antônio Flori Moraes da Silva, 46 anos, foi condenado por assassinato em 1997. Ele já cumpriu metade da pena, de dez anos, e espera conseguir condicional porque o homicídio ‘‘foi em legítima defesa. Mas estou esperando resposta da advogada há meses’’.
O coro é engrossado por Adair Barbosa da Silva, 23, preso desde maio por suspeita de homicídio ocorrido em Salto del Guaíra, fronteira com Mundo Novo (RS). ‘‘Estou aqui por uma causa injusta. Até agora nenhum advogado veio falar comigo’’, acusa o interno, com parentes em Guaíra.
Situação parecida enfrenta Sebastião Gonzaga, 33. Ele garante ser inocente, mas lamenta ter sido ‘‘condenado a 20 anos sem direito à apelação’’. Em sua opinião, o governo brasileiro age ‘‘com descaso’’.
Alguns presos afirmam buscar forças na religão, como é o caso de Levi Rodriguez, 33, condenado a 20 anos por um assassinato cometido em 1994. ‘‘Fico sem saber o que fazer porque a justiça é falha. Só Deus mesmo para ter piedade da gente’’, diz, disposto a ser transferido para o Mato Grosso do Sul, ‘‘ao lado da família’’ (A.P.).

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