Nova York, 29 (AE) - Procuram-se economistas e estatísticos para preencher quatro vagas no Setor Comercial (Secom) do Consulado do Brasil em Nova York - salário em torno de US$ 6 mil (R$ 10.500,00).
A atrativa oferta de emprego na capital do mundo, onde até a semana passada havia ociosidade de pessoal, veio acompanhada de oito demissões e três aposentadorias no quadro de 61 funcionários da repartição, anunciadas segunda-feira.
O Itamaraty tentava manter as demissões e a necessidade de novas contratações em sigilo desde abril para evitar apadrinhamentos - as normas de contratação no exterior são mais liberais do que as do serviço público. O plano original era cortar 25 empregados, reduzir salários acima de US$ 6 mil (R$ 10.500,00) e abolir ajuda de custo para aluguel.
O plano vazou: 14 dos incluídos na limpa mobilizaram padrinhos políticos e salvaram seus cargos. As vantagens permaneceram. Os cortados foram todos da turma do salário mínimo local, US$ 2.500 (R$ 4.350,00).
Hoje pela manhã, alguns funcionários demitidos ensaiaram uma pequena manifestação de protesto na porta do Consulado, denunciando os colegas supostamente apadrinhados. Não houve incidentes.
Segundo o cônsul-geral Flávio Perry, "as reclamações são improcedentes, até porque aqui não existiam pagãos. Venci resistências políticas ao fazer as demissões. Nessa hora, não conferi a lista dos nomes dos cortados com a dos seus padrinhos. O importante é que vamos economizar US$ 49 mil mensais em salários".
O cônsul disse ainda ignorar os protestos dos demitidos. "Eu os reuni para explicar os cortes, porque ninguém gosta de fazer isso. Eles não eram maus funcionários, foram vítimas das circunstâncias. Ocorre que com a unificação Secom/Consulado, estávamos com um grupo ocioso, com duplicidade de funções."
Segundo outros diplomatas que acompanharam o processo, salvaram-se da lista original de cortes protegidos do vice-presidente Marco Maciel, do senador José Sarney, do deputado Inocêncio de Oliveira e do governador de Sergipe, Albano Franco.
A determinação da redução dos custos fora dada pelo ministro Luis Felipe Lampreia, em abril, porque a folha dos contratados (excluídos os diplomatas) já estava em US$ 220 mil mensais. A degola foi tratada em telegramas "secretos e urgentíssimos" entre o Itamaraty e uma comissão integrada pelo embaixador e representantes dos funcionários.
Num dos telegramas, datado de 21 de maio, Perry manifestou sua preocupação com a mobilização interna dos funcionários, mas afirmou que "...deveríamos fazer uma lista... dos dispensáveis... ignorando (seus) apoios e ligações políticas".
Após vários telegramas, muita pressão de Brasília e reação do Consulado/Secom, os 25 foram reduzidos para 12 - sendo que três seriam forçados à aposentadoria. No momento final, o auxiliar administrativo Benedito Lima conseguiu escapar dessa lista.
Lima escapou porque provou à comissão interna sua condição atípica: emprestado pelo Itamaraty ao Secom nova-iorquino, em 1997, depois, pelo Secom ao comitê eleitoral da então candidata Roseana Sarney, no Maranhão, em 1998, acabou devolvido pelo comitê ao Consulado, em 1999, para uma vaga de um contratado, já na fase em que o Consulado incorporou o Secom.
"Lima é funcionário público e portanto não pode ser demitido", informou Perry.
O cônsul ainda não definiu a data do concurso para as novas vagas, mas justificou sua necessidade: "Quando assumi, em setembro, tínhamos aqui só um economista e 60 pessoas no apoio. Ora, o Secom precisa de no mínimo quatro, para tocar os imensos negócios que se podem realizar em Nova York. Preciso de um estatístico, preciso de gente qualificada. Logo teremos de abrir concurso para essas vagas."
Desde hoje, o Consulado está em novo endereço, na Sexta Avenida com Rua 46. A ocupação encerrou uma pendenga burocrática com o Departamento de Estado que consumiu US$ 1,5 milhão no aluguel de um imóvel mantido ocioso por 15 meses.

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