Consulado atende média de 400 pessoas por dia
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sábado, 08 de setembro de 2001
De Lisboa 
A crescente movimentação de migrantes em Portugal é observada com atenção pelo cônsul do Brasil em Lisboa, Alfredo Tavares. ''Até junho atendíamos cerca de 200 pessoas por dia. Agora atendemos uma média de 400'', conta ele.
Há sete meses em Portugal, Osmar Abe, de 32 anos, trabalha como pedreiro e sonha com seu próprio negócio. No Brasil, ele já trabalhava como pedreiro, com um salário de R$ 600. Agora ganha o equivalente a R$ 3 mil por mês. ''Dá para sustentar minha família lá.''
Solange Correia, de 23 anos, chegou há dois anos e conta que já encontrou conhecidos, vários deles de sua cidade natal, Nova Londrina. Ela trabalha como doméstica e recebe o equivalente a R$ 900. É mais do que ganhava no Brasil onde era funcionária de uma fábrica de tecidos. Seu marido obtém cerca de R$ 1.200 e o objetivo dos dois é construir uma casa em Londrina.
Por economia, o casal e sua filha, nascida em Portugal, divide um apartamento com mais três pessoas. Maria de Fátima Melo, 33 anos, que veio de Paranavaí, lembra que os migrantes enfrentam dificuldades e é difícil guardar dinheiro. Ganham mais do que no Brasil, mas gastam mais. Em Lisboa não é possível alugar um apartamento por menos de R$ 1.000. Muitas pessoas ficam em quartos, pagando mais de R$ 400 por mês.
De volta a Londrina, João Paulo Casarini, de 35 anos, confirmou as dificuldades vividas em Portugal. Especialista em artes gráficas, com três filhos, ele viajou disposto a qualquer trabalho. Esteve em Portugal e na Espanha, lavou pratos, limpou chão, pintou paredes, mas decidiu voltar, após quatro meses. Verificou que, embora seja fácil conseguir emprego, o custo de vida é muito alto: ''Há pessoas que ficam sem dinheiro para a passagem de volta.'' (Jair Rattner, Especial para a AE)


