Cônsul é acusado de chefiar esquema para venda de vistos
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sexta-feira, 10 de julho de 2009
Agência Estado 
São Paulo - O cônsul-geral do Paraguai em São Paulo, Hernando Arteta, foi afastado do cargo ontem por encabeçar um esquema fraudulento de emissão de vistos de entrada em seu país. De acordo com investigações do Ministério das Relações Exteriores paraguaio, pelo menos 70 permissões foram emitidas, principalmente para chineses e libaneses. Em um dos casos, foi constatado o pagamento de cerca de US$ 4 mil pelo serviço.
Embora não descarte o envolvimento de outros diplomatas, a investigação do ministério paraguaio esteve focada no cônsul-geral, pois era ele quem assinava os vistos emitidos. A partir de agora, o governo vai apurar o envolvimento de outros diplomatas.
Todo o esquema funcionava a distância, com permissões concedidas aos estrangeiros sem quem eles pisassem em solo brasileiro. Cerca de 60 chineses e 10 libaneses foram detidos em aeroportos da Europa e América Latina com vistos irregulares quando faziam conexão para o Paraguai. Todos foram extraditados para seus países de origem. Não foi constatado, até este ponto da investigação, envolvimento de brasileiros.
Vamos continuar investigando e acreditamos que muitos outros vistos foram emitidos irregularmente, disse por telefone de Assunção o diretor de Passaporte e Serviço Consular do Ministério de Relações Exteriores paraguaio, Osvaldo Ostertag. Nossa política de vistos prevê que todos os candidatos sejam entrevistados e que compareçam a uma embaixada ou consulado, o que não acontecia nesses casos, completa.
A principal motivação dos estrangeiros, segundo membros da Embaixada do Paraguai no Brasil, era introduzir mercadorias de contrabando pela Ponte da Amizade, que liga Ciudad del Este a Foz de Iguaçu (PR). Outra seria fazer escala no Paraguai, para entrar ilegalmente nos Estados Unidos.


